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Kátia Flávia
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Zezé Di Camargo cobra R$ 1 milhão, é acusado de dublar e transforma virada em vexame nacional

Quando o público percebe que o microfone é só figurante, nem fogos salvam o réveillon.

Kátia Flávia

02/01/2026 16h00

Quando o público percebe que o microfone é só figurante, nem fogos salvam o réveillon.

Minha querida, senta que lá vem história, daquelas que começam com festa e terminam em silêncio constrangedor.

A virada do ano em Marabá prometia tudo. Palco grandioso, multidão reunida, prefeitura anunciando evento histórico e um nome de peso para coroar a noite: Zezé Di Camargo. O cachê, segundo informações que circularam antes mesmo do evento, girava em torno de R$ 1 milhão. Até aí, tudo dentro do script de réveillon de cidade grande.

O problema começou quando o show começou.

Não demorou muito para o público perceber que algo não encaixava. A boca se mexia, a voz seguia perfeita demais, o tempo não batia. Bastaram alguns minutos para a suspeita virar burburinho. E do burburinho para a internet é um pulo. Em segundos, vídeos começaram a circular com a mesma pergunta atravessada na garganta coletiva: isso é ao vivo mesmo?

E aí, meu bem, a coisa desandou.

A plateia reagiu. As redes ferveram. O comentário foi uníssono: parecia playback. Não um apoio discreto, não um reforço técnico. Para muita gente, soou como dublagem pura. E quando o povo sente que foi feito de figurante em festa paga com dinheiro público, a paciência acaba rápido.

O clima ficou tão desconfortável que a transmissão oficial do evento simplesmente saiu do ar. A prefeitura depois alegou que a suspensão foi uma decisão técnica, para conter a repercussão negativa. Mas o estrago já estava feito. Porque na internet, quando a dúvida se instala, ela não pede licença pra ficar.

O detalhe mais indigesto é que o show já vinha cercado de polêmica. O valor do cachê havia sido questionado antes mesmo da virada, e o evento foi tratado como vitrine política e turística. Quando surgiram as imagens da apresentação, a conta não fechou para muita gente. Um milhão para um show que, segundo o público, não era exatamente ao vivo?

A partir daí, virou aquele velho roteiro brasileiro: prefeitura defendendo o evento, público indignado, redes debochadas e silêncio estratégico do outro lado. Nenhuma confirmação oficial de playback, mas também nenhuma explicação que convencesse quem estava ali, olhando, ouvindo e comparando.

E é aí que mora o veneno da história.

Porque ninguém está dizendo que foi dublagem.
Mas todo mundo está dizendo que parecia.
E quando parece, em praça pública, o estrago é quase o mesmo.

No fim das contas, a virada virou meme, o show virou debate e o artista virou assunto nacional por um motivo que ninguém gostaria de ser. Não foi pela voz. Foi pela dúvida.

E como diria a velha Kátia Flávia, mexendo o drink com gelo:
quando o público começa a desconfiar do microfone, o problema já não é técnico. É de confiança.

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