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Kátia Flávia
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Zema desafia TSE e entra em cabine de votação com celular

Vídeo mostra o candidato do Novo diante da urna com o aparelho em mãos; Justiça Eleitoral determina que telefones sejam entregues aos mesários antes do voto

Kátia Flávia

04/10/2026 10h51

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Romeu Zema foi filmado com o celular em mãos na cabine de votação em Araxá.

Romeu Zema (Novo) foi filmado com um celular na mão dentro da cabine de votação, neste domingo (4), na Escola Estadual Delfim Moreira, em Araxá, Minas Gerais. O uso ou porte do aparelho no espaço reservado à urna é proibido pelas regras do Tribunal Superior Eleitoral, que determinam a entrega do telefone à mesa receptora antes do voto.

Eu sentei num banco de pedra da Vila Sassetti, em Sintra, para descansar as pernas dessa ladeira charmosa e vi o vídeo duas vezes. Porque o candidato saiu da cabine falando de “política limpa”, mas entrou nela com um objeto que qualquer eleitor sabe que precisa deixar com o mesário. A urna não é sala de reunião, meu amor.

A norma vale mesmo quando o celular está desligado. O eleitor pode levar o aparelho até a seção, inclusive para apresentar o e-Título, mas não pode seguir com ele para a cabine. A medida existe para preservar o sigilo do voto e impedir registros ou pressões durante a votação.

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A Justiça Eleitoral proíbe celulares, câmeras e equipamentos de gravação no espaço da urna.

Eu puxei o mapa de Sintra da bolsa, dobrei a folha e pensei na cena: há uma “colinha” de papel liberada, há documento liberado, há camiseta com manifestação individual liberada. Celular na cabine, não. Não é regra secreta guardada num cofre de Brasília; é orientação repetida em toda eleição.

Caso o eleitor se recuse a entregar o telefone, a presidência da mesa pode impedir o voto e acionar a força policial. Até a publicação das reportagens, nem a equipe de Zema nem o TSE haviam informado se haverá alguma medida sobre o episódio registrado em Araxá.

Eu me levantei do banco e ajeitei os óculos escuros antes de continuar o caminho, mas fiquei imaginando a situação do mesário: de um lado, uma regra clara; do outro, um candidato à Presidência entrando na cabine com o celular. O tipo de cena que transforma votação em pauta nacional antes de o café esfriar.

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Zema votou na manhã deste domingo e deve acompanhar a apuração em Belo Horizonte.

Depois de votar, Zema fez críticas ao Judiciário e afirmou que decisões judiciais estariam beneficiando Lula na disputa. Ele também declarou que seguirá na política independentemente do resultado das urnas e voltou a falar em combate à corrupção.

Eu desci mais alguns metros pela Vila Sassetti e só consegui pensar na ironia pronta: o candidato critica o sistema, mas aparece justamente ignorando uma regra básica criada para proteger o voto. Em dia de eleição, cada gesto dentro da seção pesa mais do que discurso de palanque.

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