Romeu Zema (Novo) foi filmado com um celular na mão dentro da cabine de votação, neste domingo (4), na Escola Estadual Delfim Moreira, em Araxá, Minas Gerais. O uso ou porte do aparelho no espaço reservado à urna é proibido pelas regras do Tribunal Superior Eleitoral, que determinam a entrega do telefone à mesa receptora antes do voto.
Eu sentei num banco de pedra da Vila Sassetti, em Sintra, para descansar as pernas dessa ladeira charmosa e vi o vídeo duas vezes. Porque o candidato saiu da cabine falando de “política limpa”, mas entrou nela com um objeto que qualquer eleitor sabe que precisa deixar com o mesário. A urna não é sala de reunião, meu amor.
A norma vale mesmo quando o celular está desligado. O eleitor pode levar o aparelho até a seção, inclusive para apresentar o e-Título, mas não pode seguir com ele para a cabine. A medida existe para preservar o sigilo do voto e impedir registros ou pressões durante a votação.

Eu puxei o mapa de Sintra da bolsa, dobrei a folha e pensei na cena: há uma “colinha” de papel liberada, há documento liberado, há camiseta com manifestação individual liberada. Celular na cabine, não. Não é regra secreta guardada num cofre de Brasília; é orientação repetida em toda eleição.
Caso o eleitor se recuse a entregar o telefone, a presidência da mesa pode impedir o voto e acionar a força policial. Até a publicação das reportagens, nem a equipe de Zema nem o TSE haviam informado se haverá alguma medida sobre o episódio registrado em Araxá.
Eu me levantei do banco e ajeitei os óculos escuros antes de continuar o caminho, mas fiquei imaginando a situação do mesário: de um lado, uma regra clara; do outro, um candidato à Presidência entrando na cabine com o celular. O tipo de cena que transforma votação em pauta nacional antes de o café esfriar.

Depois de votar, Zema fez críticas ao Judiciário e afirmou que decisões judiciais estariam beneficiando Lula na disputa. Ele também declarou que seguirá na política independentemente do resultado das urnas e voltou a falar em combate à corrupção.
Eu desci mais alguns metros pela Vila Sassetti e só consegui pensar na ironia pronta: o candidato critica o sistema, mas aparece justamente ignorando uma regra básica criada para proteger o voto. Em dia de eleição, cada gesto dentro da seção pesa mais do que discurso de palanque.