Zé Felipe virou alvo de denúncias ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania depois da repercussão de um vídeo com o filho caçula, José Leonardo, de 1 ano e 10 meses. Segundo o órgão, foram registradas três denúncias pelo Disque 100, encaminhadas ao Conselho Tutelar de Goiânia e a uma delegacia regional.
Eu finalmente tinha conseguido entrar no banho no quarto do The Standard Ibiza Town, lavei o cabelo com aquele shampoo de hotel que promete “figo mediterrâneo” e entrega sabonete líquido com autoestima, saí enrolada no roupão branco e dei de cara com essa pauta. Aí não tem deboche com criança, minhas queridas. Tem bronca nos adultos que acham que tudo é brincadeira até bater na porta do Conselho Tutelar.

O vídeo foi gravado durante a festa de aniversário de 63 anos de Leonardo, na última segunda-feira (27). Nas imagens, familiares perguntam ao menino “o que é das meninas?” e “o que ele vai dar para as meninas?”. No colo de Zé Felipe, José Leonardo observa o ambiente e repete a palavra “pau”.
As críticas começaram imediatamente. A escritora e ativista Jarid Arraes fez um desabafo nas redes sociais e afirmou que o vídeo já estava circulando de forma irreversível. “O vídeo do menininho, filho de Zé Felipe, já roda toda a internet. É impossível apagá-lo. Já é tarde demais”, escreveu.
Jarid também cobrou responsabilidade dos adultos envolvidos. “Nenhum adulto, independentemente do grau de parentesco, tem direito de ensinar falas e ações como aquelas, nem de gravar e publicar um vídeo como aquele. O pai (e os adultos do ambiente) devem prestar esclarecimentos e ser investigados pelas autoridades”, pontuou.
Eu li isso com a toalha na cabeça e pensei: é exatamente aí que mora o problema. Adulto chama de piada, publica, ri, viraliza e depois descobre que internet não tem botão de apagar infância exposta. A criança vira assunto nacional sem nem entender o tamanho da vitrine em que foi colocada.

A ativista ainda reforçou que o menino é a parte vulnerável da história. “O problema do acontecimento não reside somente no que muitas pessoas argumentaram ser ‘masculinidade tóxica’ ou ‘cultura do estupro’. O menino é a vítima. Não se trata de uma preocupação com quem ele será apenas quando crescer. Uma exposição de proporções públicas imensuráveis ocorreu, e o menino é a parte vulnerável. Meninos também precisam de proteção.”
A partir das denúncias, as instituições competentes vão analisar o caso e decidir se uma investigação será aberta. No dia seguinte à repercussão, Zé Felipe se desculpou pelo vídeo e classificou o episódio como uma brincadeira.
Mas brincadeira, quando envolve criança pequena, fala sexualizada e publicação para milhões de pessoas, deixa de ser só “momento de família” muito rápido. Eu sequei o cabelo olhando para o celular e só pensei que o mínimo agora é uma pergunta simples: quem protege o menino quando os adultos acham graça?