Minha gente, eu estava pensando seriamente em atacar mais um travesseiro da Piriquita, aqui em Sintra, quando recebi uma notícia que me fez trocar mentalmente o doce português por uma boa farofa nordestina. Xand Avião, o gato do Nattan, Zé Vaqueiro, Panda, Ícaro & Gilmar e Humberto & Ronaldo resolveram juntar as vozes num projeto chamado “Balaio”. E olha, pelo tamanho da turma, esse balaio precisou ser reforçado!
A gravação aconteceu no Ceará e reuniu artistas de diferentes gerações e estilos musicais. A primeira edição já está disponível ao público, com novas versões de “Liguei Pra Dizer Que Te Amo”, “Jogado na Rua” e “Locutor”. É aquele tipo de repertório que começa com alguém cantando baixinho e termina com metade da mesa achando que nasceu para ser vocalista.

Agora, prestem atenção na mistura. De um lado, Xand Avião e sua trajetória no forró. Do outro, Nattan e Zé Vaqueiro, representantes de uma geração que ajudou a levar o piseiro a públicos cada vez maiores. E, para completar a confusão organizada, Panda, Ícaro & Gilmar e Humberto & Ronaldo chegam com suas identidades sertanejas. Se alguém aparecer procurando uma fronteira entre os gêneros, vai precisar de GPS.
O projeto foi idealizado pela Vybbe e pela MJ Music. A proposta é colocar artistas de repertórios diferentes diante de músicas conhecidas, permitindo que cada um imprima sua identidade às interpretações. Segundo a apresentação do projeto, a ideia nasceu da conexão entre os participantes e acabou se transformando numa gravação audiovisual.

E aqui está o detalhe que me interessa: o “Balaio” aposta justamente no encontro de públicos que nem sempre consomem os mesmos artistas. Quem chega por causa de Xand pode descobrir outra interpretação de um clássico sertanejo. Quem acompanha Ícaro & Gilmar pode acabar se rendendo ao tempero do forró. Para as produtoras, é uma maneira de aproximar repertórios e ampliar as possibilidades de circulação dessas músicas.
Eu, que já estou suficientemente enrolada tentando entender os caminhos de Sintra, achei maravilhoso ver uma turma que resolveu dispensar as placas de separação musical. Porque, convenhamos, brasileiro pode até discutir qual ritmo é melhor, mas basta alguém puxar uma música conhecida para todo mundo virar integrante da banda.