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Kátia Flávia
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Washington Quaquá recusa suplente com escândalo e racha chapa do PT no Rio

O prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, divulgou nota oficial se recusando a aceitar um assessor ex-presidente da Casa da Moeda, envolvido em escândalos, como primeiro suplente de Benedita da Silva ao Senado pelo Rio. A briga interna expõe que o grupo majoritário do partido no estado cedeu a candidatura, mas não está disposto a engolir a chapa inteira.

Kátia Flávia

19/04/2026 9h45

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O vice-presidente nacional do PT fez críticas diretas à senadora Benedita da Silva pela indicação do ex-presidente da Casa da Moeda (Foto: Reprodução/Google Imagens)

Amores , Washington Quaquá, prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, resolveu colocar tudo por escrito, e quando político faz isso num domingo é porque a situação já passou do ponto de conversa de corredor.

O grupo de Quaquá, mesmo tendo maioria folgada na direção do PT-RJ, aceitou apoiar a candidatura de Benedita da Silva ao Senado Federal nas eleições de outubro como gesto de unidade do partido. O acordo, segundo ele, previa que as suplências ficariam com nomes do campo majoritário, o vereador Felipe Pires como primeiro suplente e o pastor e cantor Kleber Lucas como segundo. Até aí, tudo combinado. O problema foi quando chegou a exigência de incluir, no lugar de Felipe Pires, um assessor que foi presidente da Casa da Moeda e carrega escândalos no currículo.
O bastidor político é clássico: Quaquá não aceitou, levou ao diretório, aprovou os dois nomes do seu campo e saiu na nota afirmando que montar uma chapa com esse perfil seria presentear os adversários com munição antes mesmo da campanha começar. A nota ainda tem aquela frase de recado velado que político usa quando quer dizer tudo sem dizer nada diretamente: “cada um sabe das suas ações e das responsabilidades que carrega.” Tradução livre: eu sei quem mandou esse nome, todo mundo sabe, e eu não vou fingir que não sei.

A leitura aqui é simples e maldosa ao mesmo tempo: o PT-RJ tem Benedita da Silva, nome de peso e trajetória respeitada, e alguém dentro do partido tentou usar a candidatura dela como guarda-chuva para proteger um perfil que, em campanha, vira alvo na primeira semana. Quaquá está certo no diagnóstico político, mas a nota pública transforma uma briga interna em manchete, o que significa que o acordo pela unidade já rachou antes de chegar no cartório.

Minha vizinha italiana de Bari tem um ditado pra esse tipo de situação: quem combina de dividir o pão não combina de dividir a mesa. O PT no Rio fez as pazes na fachada, mas a cozinha está em chamas, e Benedita da Silva ainda vai precisar de muito jogo para chegar em outubro sem carregar o peso dessa fatura.

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