Amadinhos, estava com os pés no Adriático e um caffè amargo na mão, quando meu telefone tocou com uma notícia que me fez colocar a xícara pra baixo de verdade. O Warung Day Festival, que todo mundo conhece pelo lineup, pelo maquiê e por aquela luz que some às 6 da manhã, acabou de fazer algo que nenhum festival consegue quando está sóbrio: doou R$ 22.000 para o Hospital Infantil Pequeno Príncipe, em Curitiba. Em dinheiro. De verdade. Já entregue.
O valor foi arrecadado pelos chamados ingressos sociais do festival, uma modalidade que o público compra justamente para isso, garantindo acesso ao evento e participação numa corrente de solidariedade que vai direto para quem precisa. O Hospital Pequeno Príncipe atende 76% dos seus casos pelo SUS, tem 76 leitos de UTI, fez 308 transplantes só em 2025 e figura entre os 70 melhores hospitais pediátricos do mundo pela Newsweek, sendo, pelo quinto ano consecutivo, o melhor exclusivamente pediátrico da América Latina. Não é um hospital qualquer. É uma catedral de sobrevivência infantil.


Nas próximas semanas o festival realiza a segunda etapa da doação ao Pequeno Príncipe, o que significa que esse movimento ainda não terminou. Luis Gustavo Zagonel, um dos idealizadores do WDF, falou que cada ingresso social carrega impacto, empatia e futuro, e Denis Carneiro, gerente de Investimento Social do hospital, confirmou a parceria com entusiasmo que a Kátia escutou de longe, de dentro de uma trattoria em Lecce.
A 11ª edição do Warung Day Festival acontece dia 2 de maio, reunindo 21 atrações em três palcos divididos entre a Pedreira Paulo Leminski e a Ópera de Arame, dois dos espaços mais bonitos de Curitiba. Charlotte de Witte, Deep Dish e Enrico Sangiuliano estão no line-up, mais de 12 horas de programação, e a estrutura que quem já foi sabe que é coisa séria. O festival que entrega experiência também está entregando hospital. Que conceito.
E olha, Kátia já foi a muitas festas na vida, meninas. Já viu de tudo num camarote. Mas ingresso que vira leito de UTI pediátrica é um tipo de open bar que eu nunca vi antes, e que, com toda a minha piruice, me fez bater palma aqui na costa da Puglia sozinha como uma louca. Salve o Warung. Salve o Pequeno Príncipe. E salve quem comprou esse ingresso sem saber que estava sendo melhor pessoa do que imagina.