Eu juro que essa informação caiu no meu colo como roteiro rejeitado de novela das nove que depois vira sucesso. Wagner Moura indicado ao Oscar e, no momento da bomba, o homem estava… no avião. Sim. Preso ao cinto, provavelmente sem internet decente, enquanto o país inteiro gritava como final de Copa.
Quem entregou o bastidor foi o diretor Kleber Mendonça Filho, esse que adora jogar uma granada elegante e sair andando. Segundo ele, Wagner recebeu a notícia lá no alto, flutuando pelo mundo, igual personagem que só descobre a própria tragédia ou glória depois do intervalo comercial.
A indicação veio por O Agente Secreto, que resolveu humilhar geral concorrendo em várias categorias, incluindo Melhor Filme, Filme Internacional e Direção de Elenco. Ou seja, não foi um aviso, foi um caminhão de prêmio buzinando.
Eu fico imaginando a cena. Passageiro do lado pedindo licença para ir ao banheiro, comissária oferecendo água, e o brasileiro ali, tranquilo, virando material de manchete mundial. Enquanto isso, no solo, fãs chorando, críticos escrevendo tese e grupos de WhatsApp surtando em caps lock.
O anúncio oficial dos indicados saiu nesta quinta-feira, dia 22, e a cerimônia acontece em março. Até lá, Wagner Moura segue nesse posto ingrato de ator sério que vira fofoca internacional sem fazer esforço.
Porque convenhamos, descobrir que virou nome forte no Oscar dentro de um avião é coisa de protagonista que não precisa forçar drama. O drama corre atrás dele, de classe executiva ou não.