Meus amores, no meio de tanto carregador largado em gaveta, fone sem par e celular aposentado com honra duvidosa, a Vivo resolveu fazer a limpa chique da tecnologia esquecida. A operadora fechou 2025 com 45 toneladas de resíduos eletrônicos reciclados, uma alta de 21% sobre o ano anterior, num volume que a própria companhia compara ao peso de cerca de 200 mil smartphones. Sim, é muito aparelho dizendo adeus à vida útil com destino menos criminoso para o planeta.
O dado ganha corpo porque a empresa sequer fabrica os eletrônicos que recolhe. Ainda assim, desde 2006, mantém o Vivo Recicle, iniciativa que virou um dos maiores programas de circularidade para eletrônicos de pequeno porte no Brasil. Entram nessa dança aparelhos celulares, tablets, fones, carregadores e outros itens que costumam mofar em casa até alguém decidir se desapegar ou fingir que um dia vai usar de novo. A gente sabe como esse roteiro termina.

Segundo a Vivo, a proposta é reduzir a extração de matéria-prima e evitar que componentes com plástico e metais acabem descartados de forma inadequada. Todo o material coletado segue para uma empresa especializada, e a promessa é de reaproveitamento integral dos resíduos. Em português bem direto, o que iria para o limbo da bagunça eletrônica volta para a cadeia produtiva.
Para manter o programa vivo na cabeça do consumidor, sem trocadilho porque a marca já fez isso por mim, a companhia espalha mais de 1,8 mil pontos de coleta em lojas pelo Brasil e ainda leva pontos itinerantes para eventos patrocinados. No Distrito Federal, são 20 pontos. Em Goiás, 60. A ambição aqui é bem clara: transformar conveniência em hábito, porque sustentabilidade sem acesso vira discurso de evento com coffee break e foto bonita.

Tem também um braço que eu achei esperto. Há dois anos, o Vivo Recicle entrou em escolas públicas apoiadas pelo programa de voluntariado da Fundação Telefônica Vivo, aproximando estudantes e educadores de uma pauta que mistura tecnologia, descarte correto e educação ambiental. E aí a história ganha musculatura, porque reciclagem com cara de lição prática costuma funcionar melhor do que palestra com cara de sermão.
A fala de Joanes Ribas, diretora de Sustentabilidade da Vivo, segue exatamente nessa linha de protagonismo setorial. A executiva diz que o recorde reforça o papel da empresa na economia circular brasileira e destaca que o descarte correto ajuda a reduzir a extração de recursos naturais e os impactos na cadeia produtiva. É a Vivo tentando ocupar um lugar de liderança numa agenda em que reputação, operação e consciência ambiental já andam de mãos dadas, mesmo que muita empresa ainda finja surpresa diante disso.

No fim das contas, eu olho para essa história e vejo uma operadora entendendo que sustentabilidade rende menos pose e mais resultado quando o consumidor consegue participar sem complicação. Porque ninguém precisa virar monge ecológico para descartar um carregador velho. Basta ter onde colocar. E, pelo visto, a Vivo quer ser justamente essa caixinha onde a culpa eletrônica vai descansar em paz.