Vamos falar da despedida da Virgínia do SBT , no seu “SABADOU” , Teve festa, teve discurso, teve lágrima bem posicionada no close. Teve também um detalhe básico que tentaram esconder atrás do glitter. Ela pediu pra sair.
Durante dois anos, a emissora fez ginástica artística com a grade para manter a estrela confortável. Ajuste aqui, concessão ali, programa gravado com antecedência absurda pra caber na agenda da dona da Web Pink. Convidado esperando, ritmo capenga, vigor indo embora. A direção bancou. Daniela Bey bancou. O SBT inteiro bancou como quem segura relacionamento em crise achando que amor se resolve com flores e paciência.

O programa teve seus dias de glória, vice liderança na mão, disputa real, barulho de torcida. Depois perdeu fôlego, a Record passou na frente, o sábado mudou de humor. Televisão faz isso, minha gente. Nada de escândalo aí. O que chama atenção é transformar decisão pessoal em espetáculo sentimental.

A despedida veio com cara de final de novela mexicana exibida às três da tarde. Choro longo, clima de eternidade, abraço de quem parece estar indo para o exílio. Dois anos no ar não constroem lenda, constroem passagem. Despedir de quê, exatamente. Do camarim que ainda estava quente.

Enquanto o SBT organizava a homenagem, o futuro da moça já piscava em outra vitrine. Passagem pelo Domingão com Huck, conversa de bastidor, Copa do Mundo rondando a Globo. O mapa estava desenhado. O choro parecia ensaio geral para a próxima temporada.

Eu adoro um drama, vocês sabem. Vivo pra isso. Só não compro lágrima que cai depois da assinatura. O SBT abriu mão de tudo tentando segurar a estrela. Ela abriu mão do SBT com a serenidade de quem já escolheu o próximo tapete vermelho. Aplausos para a atuação, figurino aprovado, roteiro frágil.