Eu estava saindo do almoço em Sintra, com a cabeça na mudança de hospedagem, mala para fechar e um mundo de coisa para resolver, quando chega essa história da Virginia Fonseca no meu celular. Parei. Li. Voltei. Porque sorteio que promete viagem e encontro com famosa e termina na Justiça já deixou de ser promoção faz tempo. Virou enredo.
Carla Ramalho ganhou, durante uma live da WePink no Instagram, um sorteio que previa transporte, hospedagem, alimentação e um encontro com Virginia. Só que o encontro não aconteceu. Depois de meses de espera, a empresa ofereceu uma alternativa: R$ 1.500 e 20 produtos da marca. Carla aceitou, mas dois dos itens inicialmente não foram entregues.

A história foi parar no Juizado Especial Adjunto Cível de Rio Bonito, no Rio de Janeiro. Carla pediu o fornecimento dos produtos que faltavam e R$ 30 mil por danos morais. Durante o processo, os dois itens chegaram, acompanhados de um produto extra. Com isso, aquela parte da ação perdeu o objeto. Ficou de pé a discussão que pesava no bolso: os R$ 30 mil.
E aqui está o detalhe que muda tudo. A Justiça reconheceu que houve descumprimento contratual, mas considerou que o episódio não ultrapassou os limites de um transtorno cotidiano capaz de gerar dano moral. Na sentença, o caso foi tratado como “mero aborrecimento inerente ao cotidiano”. Resultado: nada dos R$ 30 mil.
No fim das contas, Carla ficou sem a viagem e sem o encontro com Virginia que estavam no prêmio original, mas manteve os R$ 1.500 e os produtos oferecidos pela WePink. A empresa, por sua vez, escapou da indenização de R$ 30 mil.

Guardei o celular e segui meu caminho por Sintra pensando numa coisa: promoção pode até terminar em cosmético e dinheiro. O que não dá para colocar dentro da caixinha da WePink é o encontro com Virginia que a vencedora ganhou e nunca teve.