Eu avisei que esse Carnaval vinha com roteiro de novela das nove e figurino de milhões. E não deu outra. A noite em que Virginia Fonseca pisou no Marquês de Sapucaí virou aquele momento em que o público resolve virar jurado, crítico, coreógrafo e comentarista de sofá, tudo ao mesmo tempo.
Vi as vaias, ouvi o burburinho e senti o climão atravessar a arquibancada com mais força do que carro alegórico fora de eixo. E aí entra ele, o homem da missão impossível, Carlinhos Salgueiro, professor de samba, personal de rebolado e agora porta voz do desabafo mais honesto da semana. Ele falou claro, sem lantejoula. Fez o trabalho, entregou o que foi contratado e saiu da avenida com aquele gosto amargo de quem sabe que o julgamento nem sempre respeita a escola.

Carlinhos não atacou a loira, pelo contrário. Defendeu a entrega, a preparação, o esforço. O alvo do incômodo foi outro, o coro da vaia que, segundo ele, escorreu como falta de respeito e respingou na Grande Rio inteira. E aí eu concordo com o professor. Carnaval pode ser competição, torcida organizada e gritaria, mas tem uma linha invisível que separa cobrança de desdém.
Virginia entrou, sambou, sustentou fantasia e sorriso, mesmo com o barulho vindo pesado. Não vi alguém acuada, vi alguém bancando o papel até o último segundo. Se agradou ou não, isso é outra conversa. O problema começa quando a arquibancada resolve brincar de tribunal sumário e esquece que ali tem uma escola, uma comunidade e um trabalho coletivo em jogo.

Nos bastidores, o comentário correu solto. Teve quem achasse que era preço da fama, teve quem achasse exagero do público, teve quem cochichasse que a Sapucaí anda impaciente com influenciador em cargo de destaque. Eu só observo e anoto. Porque, gostem ou não, a mistura de Carnaval com celebridade de internet ainda rende faísca, audiência e muito texto venenoso como esse aqui.
E aviso logo, esse capítulo não acabou. Depois da avenida, vem sempre o pós desfile, e ele costuma ser ainda mais barulhento.