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Kátia Flávia
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Vinícola Góes aposta em uva da Embrapa e agita bastidor do vinho

Enquanto importado posa de nobre europeu, uma uva brasileira entrega volume, margem e climão competitivo no mercado de vinhos.

Kátia Flávia

19/02/2026 11h15

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BRS Lorena da Vinícola Góes. Foto: divulgação

Eu confesso. Quando vejo produtor falando em safra 40 por cento maior, meu radar de bastidor apita mais alto que sino de opening bell. E foi exatamente isso que aconteceu agora. A Vinícola Góes decidiu bancar a protagonista da temporada ao apostar pesado na BRS Lorena, uva criada pela Embrapa. Sim, tecnologia nacional, sem sotaque francês e com resultado que faz investidor sorrir.

Estamos falando de uma safra projetada até 40 por cento maior, coisa de 99 a 105 toneladas em apenas seis hectares em São Roque. É pouco terreno, mas muito recado. Aqui não tem romantização de terroir europeu, tem eficiência, manejo rigoroso e produtividade que entrega caixa. Do jeito que o capitalismo agrícola gosta.

A BRS Lorena é aquela personagem subestimada que entra quieta no reality e termina liderando a audiência. Cruza Malvasia Bianca com Seyval, aguenta clima subtropical, adoece menos, produz mais e ainda mantém estabilidade. Em termos de novela corporativa, é a herdeira discreta que sustenta o império enquanto os primos fazem charme.

Na prática, três hectares em espaldeira entregam de oito a dez toneladas por hectare. Já os três em sistema latado podem chegar a 25 toneladas. Eu repito, vinte e cinco. Isso não é poesia, é margem operacional piscando.

E tem mais. O timing é delicioso. Vinhos brancos já representam cerca de 26 por cento do consumo nacional e seguem crescendo, embalados por clima mais quente, paladar buscando leveza e um certo cansaço do tinto pesado que pede discurso longo. Branco hoje é prático, aromático e Instagramável. O mercado quer, o campo responde.

A BRS Lorena entra exatamente aí. Perfil aromático intenso, caráter moscatel, frescor que conversa com o consumidor brasileiro sem pedir legenda. É produto alinhado com demanda, clima e custo. Um tripé que muito fundo de investimento gostaria de ver em portfólio.

O aumento de safra, aqui, não é só volume. É sinal de algo maior. Mostra que melhoramento genético nacional não é plano B, é estratégia. Em tempos de mudança climática e dólar temperamental, quem produz com tecnologia local ganha autonomia e previsibilidade. Luxo absoluto.

No fundo, o que eu vejo é o seguinte. Enquanto muita gente ainda suspira por rótulo importado como quem sonha com ex tóxico, tem produtor brasileiro fazendo conta, investindo em ciência e entregando resultado. A Vinícola Góes não está só colhendo uva. Está colhendo vantagem competitiva.

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