O vídeo é curto, mas o impacto é longo. Em poucos segundos, a câmera de segurança registra a cena que ninguém quer viver e que muita gente reconhece. A atriz Nina Baiocchi corre atrás de um assaltante no Centro de São Paulo logo depois de ter o celular arrancado de dentro de um carro de aplicativo. Não é cena de novela. É vida real, crua, nervosa e fora de controle.
Era noite. O carro parou no semáforo. O vidro virou pó. O celular foi embora. E o corpo reagiu antes da cabeça pensar. Nina saiu correndo, gritando por ajuda, no meio da rua, com as mãos e os braços cortados pelos cacos de vidro. Uma reação instintiva, quase animal, daquele tipo que nasce do susto, do medo e da sensação de invasão total.
As imagens mostram a sequência do crime na região da Santa Cecília. Primeiro o carro passa pela câmera. Depois o criminoso se aproxima a pé. Em segundos, ele quebra o vidro, arranca o celular desbloqueado e foge. Logo atrás, surge Nina, desorientada, pedindo socorro, tentando entender o que acabou de acontecer.
A atriz, que interpreta Vânia na novela Coração Acelerado, contou depois que só percebeu a gravidade da situação quando tudo já tinha passado. O corpo agiu no piloto automático. A cabeça demorou a chegar.
O prejuízo não ficou só no susto. Segundo informações da equipe da influenciadora, os criminosos conseguiram acessar redes sociais e até contas bancárias da atriz. O tipo de golpe que começa na rua e continua dentro da vida digital da vítima, com consequências que ninguém vê no vídeo.
Em casa, ainda sangrando, Nina tentou trocar senhas no computador. As mãos, cheias de cortes, mal obedeciam. Foi só depois de falar com a mãe que procurou um hospital e levou pontos. O físico foi tratado. O emocional, nem tanto.
O caso foi registrado como roubo e lesão corporal e encaminhado ao 77º Distrito Policial, em Santa Cecília. A Polícia Civil analisa as imagens para tentar identificar e prender os criminosos. Enquanto isso, a sensação é a mesma de sempre. A de que o perigo anda mais rápido que a resposta.
Em vídeo nas redes sociais, Nina fez um apelo direto às autoridades e aos seguidores. Disse que não vai se conformar com a impunidade. Disse também o óbvio que ainda precisa ser repetido. A culpa não é de quem estava usando o celular. A culpa é de quem ataca.
Talvez o mais assustador não seja a cena em si. É o quanto ela parece familiar. O vidro que estoura, o medo que explode, o corpo que reage antes do pensamento. São Paulo virou um palco onde qualquer um pode virar personagem, sem ensaio e sem corte.
Dessa vez foi uma atriz conhecida. Amanhã pode ser qualquer pessoa. E é isso que dá mais medo.