Eu vi o vídeo, torci o nariz e senti aquele cheiro clássico de cilada digital. Bastaram alguns segundos para perceber que aquilo não era mobilização legítima, era oportunismo embalado em causa sensível. Usaram a imagem de Marcos Palmeira para pedir doações ligadas ao caso do cão comunitário Orelha, explorando indignação e comoção para aplicar golpe.
O material circulou principalmente no Facebook e simulava uma campanha de arrecadação relacionada à morte de Orelha, que precisou ser sacrificado após sofrer agressões em Florianópolis no início de janeiro. A narrativa foi construída para parecer engajada, urgente e emocionalmente correta. Justamente por isso, perigosa.
A equipe do ator foi direta e sem rodeios. O vídeo é falso, tosco e produzido com inteligência artificial. Em comunicado enviado ao Portal LeoDias, os representantes alertaram que criminosos se apropriaram de uma causa real e relevante para enganar pessoas e arrecadar dinheiro de forma fraudulenta.
O uso de IA para simular voz, imagem e discurso de figuras públicas já virou ferramenta recorrente em golpes digitais. Quando essa tecnologia encontra temas que mobilizam emoções fortes, como maus-tratos a animais, o risco de engano aumenta. A boa-fé vira alvo e a empatia é usada como isca.
A equipe reforçou a importância de denunciar esse tipo de conteúdo e pediu atenção redobrada neste ano, marcado por maior circulação de material manipulado. A orientação é simples e necessária. Verificar a fonte, desconfiar de pedidos de doação que não indiquem canais oficiais e evitar o compartilhamento impulsivo.