Meu povo, eu tava aqui fingindo maturidade, com a taça na mão e o feed aberto, quando eu dou de cara com esse vídeo e eu juro que eu fiquei com a cara de quem viu a cena final de novela sem ter visto os capítulos do meio. Benny, de vermelho, no plenário, tentando falar, pedindo respeito, e o caos ali do lado, gente gritando, dedo apontando, clima de briga de condomínio em assembleia, só que com microfone e placa.
Segundo ela mesma, a sessão foi encerrada no grito porque teve tumulto depois que a Câmara aprovou o título de cidadã para a Ludmilla. E aí entra o roteiro: Benny diz que a bancada do PL foi pra cima de forma agressiva, aos gritos, tentando intimidar e silenciar. No texto, ela chama de tentativa de violência simbólica e quase física dentro do plenário. Eu li e pensei, meu amor, isso aqui é a parte em que eu largo o celular, respiro, e já volto pra pegar o celular de novo, porque fofoca política com cultura vira sempre um episódio especial.
O ponto central, do jeito que ela narra, é que a confusão nasce do reconhecimento da trajetória da Ludmilla, uma mulher preta e periférica, que furou bolhas e virou gigante. Benny crava que tentaram marginalizar a cultura preta e criminalizar a cultura periférica, e que ela não vai aceitar ser silenciada. Eu entendo a mensagem e também entendo o simbolismo do figurino. Mulher de vermelho em plenário é o equivalente institucional de entrar no camarote com salto alto e dizer, hoje ninguém me destrona.
E aí vem o detalhe que dá o tempero de placar, porque política adora um placar: ela afirma que, por 8 a 6, o título foi aprovado. Ou seja, no meio do tumulto, teve voto contado, teve resultado, teve decisão. E teve aquela frase que é praticamente bordão de reality: “aprendam a perder”. Eu vi e pensei, isso é a versão legislativa do “aceita que dói menos”, só que com ata e microfone.
Agora, deixa eu te dizer o que me pega nessa história, meu bem. A cena é feia porque mistura dois mundos que o Brasil ama colocar pra brigar: o plenário, com seu teatro de poder, e a cultura popular, que chega com nome, número e relevância. Quando uma artista como Ludmilla vira pauta de homenagem oficial, você não tá só falando de música. Você tá falando de cidade, identidade, símbolo, e, claro, disputa de narrativa.
E Benny escolheu ir pra frente, falando alto, cobrando respeito, segurando o microfone como quem segura o último drink da noite. Eu não tenho estrutura pra ver sessão encerrada no tumulto e fingir que isso é normal, meu povo. Pode até ser “normal” no noticiário, mas normalidade demais também é uma forma de anestesia.
No fim dessa cena, fica a imagem que ela mesma entrega, e eu confesso que é cinematográfica: uma mulher de vermelho, dizendo que enquanto estiver de pé, não vai aceitar tentativa de silenciamento. E ainda soltando um “tá gritando por quê?” no meio do barraco. Meu amor, isso aí é pergunta que cabe em plenário, em camarote, em grupo de família e, principalmente, na cara de quem acha que grito substitui argumento.