Eu, fui achando que ia testemunhar lágrimas, oração e aquele clima de respeito que novela adora fingir. Que nada. O velório de Jorginho vira um campo de tensão daqueles que fazem até figurante suar.
Jorginho sai de cena de forma brutal e a Chacrinha sente o impacto como quem perde o eixo. Pastor discursa com voz grave, Raul se aproxima do caixão e promete denunciar Samira, com a convicção de quem sabe que está cutucando um vespeiro. Promessa feita em enterro nunca é simbólica. É anúncio de problema.
No meio desse teatro pesado, Paulinho entra no modo detetive desconfiado. Ele reconhece Edilberto ali, plantado como quem só observa, mas carrega segredo no bolso. O clima muda. Paulinho espera o momento certo, finge distração e cola um rastreador no carro do capanga de Ferette. Simples assim. Investigação servida fria.
Samira, que eu já carimbo como a vilã que não pede licença, segue desfilando crueldade. Injeta substância, humilha o comparsa e manda desovar corpo na porta da igreja, como quem deixa recado em caixa alta. A comunidade reage com choque, Bagdá sente o baque e o enterro ganha outra leitura. Ali não tem só luto. Tem medo circulando.
Eu observo tudo sabendo que Três Graças não encerra trama em cemitério. Enterro ali funciona como gatilho. A vingança foi ativada, a investigação já começou e ninguém que apareceu naquele velório saiu ileso.