Estava aqui em Roma, sapato já na mão para a caminhada de sábado, quando meu telefone tocou com alguém me contando sobre o Valentim na RedeTV, e eu sentei de volta na cama porque tem coisa que você ouve e pensa: esse cara não precisa de roteirista, ele já tem o melhor formato possível e começou sozinho, com um capacete e uma câmera.
Tiago Silva de Brito, o Valentim, é ex-motoboy e virou fenômeno nas redes ajudando motoristas em pane seca, assalto, problema mecânico ou acidente nas ruas de São Paulo, tudo registrado pela câmera do próprio capacete, sem equipe, sem produção, sem aviso. Com 3,7 milhões de seguidores construídos nesse formato, ele agora estreia o quadro “O Anjo do Povo” no jornal Brasil do Povo da RedeTV, toda sexta-feira a partir de 3 de abril, levando esses vídeos inéditos para a televisão aberta.
O anúncio repercutiu com uma recepção que raramente se vê para um quadro jornalístico: comentários de pessoas que já foram ajudadas por ele pessoalmente, compartilhamentos de seguidores de anos, e pelo menos um trending topic informal no X com o apelido dele. A RedeTV apostou numa audiência que já existe e que não precisou ser convencida.
O que eu enxergo aqui é um movimento inteligente de uma emissora que entendeu que autenticidade de creator não se fabrica em estúdio. Valentim disse que quer continuar gravando sem roteiro, do jeito que tudo começou, e essa frase vale mais do que qualquer estratégia de comunicação porque é exatamente o que os 3,7 milhões pagaram para ver.