Famosas como Raquel Pacheco, Andressa Urach, Luiza Ambiel e Mirella têm usado a própria visibilidade para entrar no mercado de conteúdo adulto, mas a fama sozinha não garante permanência nem faturamento constante. Segundo especialistas do setor, o segredo por trás dos perfis que dão certo está em estratégia, frequência de produção, qualidade do conteúdo e relacionamento direto com assinantes.
Eu tinha finalmente entrado no apartamento do Cosme Velho, largado o casaco no encosto de uma cadeira e aberto as janelas para deixar o sol frio do Rio de Janeiro expulsar o cheiro de avião da alma, quando essa pauta apareceu. Ainda com o corpo em fuso de Nova York e a cabeça tentando entender se era manhã ou continuação de ontem, pensei: minha filha, até no conteúdo adulto a fama abre a porta, mas quem paga o condomínio é planejamento.

De acordo com O Globo, a entrada de celebridades em plataformas adultas costuma gerar curiosidade imediata e repercussão nas redes. O impacto inicial ajuda a atrair assinantes, mas a manutenção da audiência depende de uma lógica mais profissional.
Kellerson Kurtz, diretor de negócios da Fatal Fans, explica que notoriedade pode chamar atenção no começo, mas não segura o público por muito tempo se não houver regularidade, qualidade e presença digital.
“A fama ajuda a atrair atenção, mas não mantém o interesse por muito tempo se não houver frequência, qualidade de conteúdo, presença nas redes sociais e proximidade com os fãs”, afirmou.
O raciocínio é simples, mas muita gente finge que não vê. Não basta ser conhecida, postar uma chamada misteriosa e esperar que o pix eterno caia do céu. Assinante quer novidade, exclusividade, interação e a sensação de que está recebendo algo diferente do que já vê de graça nas redes abertas.
Raquel Pacheco, conhecida como Bruna Surfistinha, chega a esse mercado com uma história já consolidada no imaginário brasileiro. Andressa Urach transformou o conteúdo adulto em uma de suas principais frentes profissionais. Luiza Ambiel leva a memória afetiva da televisão, enquanto Mirella entra com a força da música e da audiência digital.
Cada uma carrega um público diferente, mas todas esbarram na mesma regra: curiosidade vende a estreia, rotina vende o mês seguinte. E, nesse mercado, o mês seguinte é onde mora o dinheiro de verdade.
As redes abertas também viraram vitrine. Instagram, X e TikTok ajudam a provocar, sugerir, atiçar e direcionar o público para plataformas pagas. Mas, segundo o especialista, é preciso entender o perfil da audiência, manter rotina de publicações e criar uma relação contínua com quem assina.
Eu acho fascinante como o assunto deixou de ser apenas escândalo moralista e virou economia digital com planilha, funil de conversão e fidelização. O Brasil pode fingir choque, mas clica. Pode fazer cara de superioridade, mas comenta. Pode dizer “que absurdo”, mas sabe exatamente onde procurar.
Além do conteúdo em si, as criadoras também analisam ferramentas de divulgação, suporte das plataformas, taxas cobradas e recursos de relacionamento com o público. Ou seja: não é só tirar foto e esperar milagre. Tem operação, estratégia e escolha de canal.

O segredo por trás das famosas que faturam com conteúdo adulto é menos glamour e mais trabalho repetido. A fama dá o primeiro empurrão, mas não sustenta sozinha. Como disse Kellerson Kurtz, “fama pode abrir a porta, mas quem sustenta o resultado é o trabalho”.
E eu, recém-chegada ao Cosme Velho, digo que isso vale para tudo: televisão, internet, fofoca e até desejo. Quem aparece uma vez vira curiosidade. Quem entende o jogo vira negócio.