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Kátia Flávia
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Uísque de R$ 4,7 mil ligado a Vorcaro vira febre em posto do Rio: “Todo mundo pergunta, mas ninguém compra”

Clientes de uma conveniência na Lagoa passaram a procurar o Macallan citado em mensagens atribuídas ao ex-dono do Banco Master com políticos e autoridades

Kátia Flávia

07/10/2026 16h15

Garrafa de Macallan que virou assunto entre clientes de um posto na Lagoa

Garrafa de Macallan que virou assunto entre clientes de um posto na Lagoa

O uísque Macallan, associado a conversas de Daniel Vorcaro com políticos e autoridades, virou objeto de desejo e curiosidade em uma conveniência de posto de gasolina na Lagoa, zona sul do Rio. Segundo relato publicado por Ancelmo Gois, de O Globo, clientes têm perguntado repetidamente pelo rótulo de R$ 4.700.

Eu ainda estava em Fátima, esticando a conversa com as amigas depois do café, quando soube que o escândalo agora tem até lista de bebidas. Porque, aparentemente, a curiosidade nacional não para na investigação: ela quer saber a marca, o preço e se parcela em doze vezes.

A atendente da conveniência contou que há uma garrafa de Macallan de R$ 1 mil exposta na vitrine, mas o rótulo mais procurado não está disponível no estabelecimento. “É que todo mundo pergunta, mas ninguém compra”, resumiu ela, entregando a frase que vale mais que muito relatório financeiro.

Eu quase pedi outro doce só para processar a cena: um posto de gasolina virou vitrine involuntária de uísque de luxo, com cliente fazendo pesquisa de preço como quem procura promoção de detergente. Só faltou perguntarem se vinha com charuto, uma autoridade e uma conversa comprometedora de brinde.

A procura ganhou força após a divulgação de mensagens atribuídas a Vorcaro, analisadas pela Polícia Federal, nas quais o Macallan aparece ligado a encontros e presentes oferecidos pelo então dono do Banco Master. O uísque teria sido servido em reuniões com figuras do meio político e institucional.

Em uma das mensagens mencionadas na reportagem, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, teria falado sobre a possibilidade de fumar charuto e beber com Vorcaro em Londres. “Oba! Tomara que tenha charuto e Macallan”, dizia o texto atribuído a ele.

Eu olhei para as luzes acendendo em Fátima e pensei que o Macallan conseguiu uma proeza: saiu da adega de milionário para a fofoca de balcão. É o destilado que ninguém leva, mas todo mundo quer comentar, minhas filhas.

A garrafa de R$ 4.700 segue fora da vitrine do posto, mas já garantiu seu lugar no imaginário popular. No Brasil, até bebida cara ganha vida própria quando entra em história de poder, mensagem vazada e gente perguntando preço sem coragem de passar o cartão.

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