“Se ele me largou ali, ele pode largar qualquer pessoa em qualquer lugar” esbraveja Pepita
Eu assisti os stories da Pepita com atenção, e não tem como dourar a pílula. O que ela relata não é confusão de rota, é falta de respeito. Pepita entrou em um carro por aplicativo em São Paulo e, no meio da corrida, foi surpreendida com a ordem mais absurda possível, descer do veículo porque o motorista não queria passar por pedágio nem seguir pela Fernão Dias.

Pepita não conhece bem a cidade. Ela conta que ficou sem entender onde estava, parada, tentando se localizar, enquanto o motorista demonstrava impaciência e críticas. Em determinado momento, ela percebe que foi reconhecida, e a situação, segundo o relato, só piorou. O que era uma corrida comum virou constrangimento e abandono.
O trecho mais forte do desabafo vem sem esforço, cru, direto:
“Se ele me largou ali, ele pode largar qualquer pessoa em qualquer lugar.”
E é exatamente aí que a história deixa de ser pessoal. Porque não se trata apenas dela. Trata-se de segurança. Mandar um passageiro descer no meio da corrida não é detalhe técnico, é quebra de serviço. É risco. É negligência.
Pepita levanta uma pergunta que desmonta qualquer argumento defensivo. Ela diz que queria ver se estivesse com o filho no carro, sendo obrigada a descer em um lugar desconhecido. Não é exagero, é empatia básica. Se isso acontece com alguém que tem visibilidade, imagina com quem não tem voz, não tem dinheiro extra ou não conhece a cidade.
Indignada, ela direciona o recado diretamente à Uber, lembrando que respeito não é diferencial, é obrigação. “Carnaval tá aí, meu amor. Vamos respeitar as pessoas que dão dinheiro pra vocês”, dispara, num misto de ironia e cansaço de quem já entendeu que o problema é maior.
Pelas próprias diretrizes da empresa, motoristas não podem interromper corridas em andamento e abandonar passageiros por decisão pessoal. Cancelamentos devem ser feitos pelo aplicativo, e situações de risco ou discriminação precisam ser tratadas com prioridade. O que Pepita descreve se encaixa no cenário mais grave possível dentro do serviço, o abandono.
No fim, o relato deixa uma sensação amarga. Não é sobre pedágio, não é sobre trajeto, não é sobre trânsito. É sobre caráter. Como ela mesma resume, com uma franqueza que assusta mais do que qualquer acusação formal, cada vez mais a gente tem medo do ser humano.