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Kátia Flávia
Kátia Flávia

TV Globo leva filmes de Elza Soares, Daiane e Glauber Rocha ao Cannes 2026

A empresa chega ao Festival de Cannes com cinebiografias inéditas, coproduções e projetos do Goes to Cannes, numa ofensiva que coloca o audiovisual brasileiro no centro do mercado internacional. Todo mundo está na Croisette e eu ainda aqui ligando para ver se consigo embarcar.

Kátia Flávia

16/05/2026 9h48

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A Globo chega ao Festival de Cannes apresentando novos projetos e coproduções que reforçam a potência, a diversidade e o alcance internacional do audiovisual brasileiro. (Foto: Reprodução/Gshow)

O telefone aqui no Cosme Velho não para desde ontem. Todo mundo fala de Cannes, todo mundo está em Cannes ou tentando chegar lá, e eu ligo para uma amiga, ela já está no hotel, ligo para outra, já está no festival. É aquele momento do ano em que o glamour cinematográfico bate na porta da fofoqueira com força total, e desta vez tem motivo de sobra: a Globo foi de vez, com projeto, com equipe e com nome pesado.

O destaque maior é “A Primavera do Dragão”, cinebiografia de Glauber Rocha baseada no livro de Nelson Motta e dirigida por Rodrigo de Oliveira, com locações em Salvador, Rio de Janeiro e na própria Cannes. O anúncio acontece justamente no festival que consagrou Glauber com o prêmio de Melhor Diretor em 1969. Isso não é coincidência, isso é dramaturgia de verdade.

A Globo Filmes ainda entra como coprodutora de “Elza”, cinebiografia de Elza Soares estrelada por Taís Araujo, produzida pela O2 Filmes com a Claro, retratando a cantora ao se recuperar de um grave acidente no Metropolitan em 1999 e revisitando a infância na favela, o racismo e a relação com Mané Garrincha. E tem “A Menina que Voa”, sobre Daiane dos Santos, a primeira mulher negra a conquistar medalha de ouro no solo no Campeonato Mundial de Ginástica Artística. Duas histórias de mulheres negras extraordinárias indo para o mercado global. Já era mais do que hora.

No Goes to Cannes, a empresa ainda leva “Carolina Maria de Jesus”, “O Personagem” e “Diário do Fogo”, enquanto os executivos Alex Medeiros, Gabriel Jacome e Verônica Nunes trabalham os painéis e encontros da indústria. Almoço com players brasileiros e estrangeiros no dia 15, café da manhã no dia 18 com Festival do Rio, RioFilme, SPCine e Embratur para discutir internacionalização. A Globo não foi passear: foi negociar.

Sigo aqui no Cosme Velho ligando para quem pode me colocar num voo para a França, porque perder essa edição virou desconforto físico. Quem diria que Glauber Rocha, Elza Soares e Daiane dos Santos me deixariam com essa urgência toda de chegar na Croisette. O cinema brasileiro foi de cabeça erguida, e eu ainda estou no telefone.​​​​​​​​​​​​​​​​

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