Minha Nossa Senhora das retransmissoras! Eu estava em Sintra, felicíssima da vida, porque já consegui duas coisas fundamentais para a sobrevivência de uma brasileira em Portugal: uma manicure e uma cabeleireira. A paz durou pouco. Meu telefone tocou com uma chamada de vídeo vinda da Avenida Paulista, em São Paulo, e lá estava a turma da Jovem Pan trazendo novidades. Tutinha, meu querido Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, está ampliando o alcance da emissora. A conta agora é de 12 praças em nove estados. Larguei tudo. Até a escolha do esmalte ficou para depois.
E prestem atenção nos personagens dessa novela empresarial, porque o elenco tem currículo. Tutinha está à frente do grupo, Fernando Pelégio participa da frente artística e de programação, enquanto Zagari atua na área comercial. Eu conheço bem a importância dessa combinação. De um lado, alguém precisa pensar no que vai ao ar. Do outro, alguém precisa transformar audiência, distribuição e presença regional em oportunidades comerciais. Porque, minhas joias, televisão custa dinheiro até quando a câmera está desligada.


A novidade é que a Jovem Pan acaba de acrescentar quatro cidades ao seu mapa da TV aberta. Goiânia, no canal 11.1, Anápolis, no 26.1, e Uberlândia, no 15.1, estrearam em 30 de setembro. Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, entrou em 2 de outubro, pelo canal 49.1. As novas operações fazem parte da parceria com a TV Goiânia. Segundo os dados divulgados pelo grupo, essas quatro cidades reúnem mais de 2,9 milhões de habitantes. É população suficiente para fazer qualquer departamento comercial abrir uma planilha antes mesmo do primeiro café.
E aqui entra uma questão que eu considero especialmente interessante. Zagari, na frente comercial, passa a trabalhar com uma rede de distribuição geograficamente mais ampla. Isso aumenta as possibilidades de apresentação da emissora a anunciantes e agências interessados em mercados regionais. Mas não confundam cobertura potencial com audiência comprovada. O fato de uma emissora chegar a uma cidade não significa que todos os moradores estejam assistindo. O desafio comercial começa justamente depois que o sinal entra no ar.
Fernando Pelégio, por sua vez, participa de uma área igualmente decisiva. Programação e direção artística precisam dar sentido a essa expansão. A Jovem Pan reúne jornalismo, opinião, esporte e entretenimento, e ampliar a distribuição também aumenta a importância de oferecer uma grade capaz de disputar a atenção de públicos diferentes. Afinal, colocar o sinal na televisão é uma etapa. Fazer o telespectador permanecer é outra história, e essa novela não aceita roteiro preguiçoso.
Eu fui olhar a cronologia dessa movimentação e a Jovem Pan vem trabalhando nisso desde outubro de 2025, quando iniciou sua expansão na TV aberta por Cuiabá. Em janeiro de 2026, chegaram São Paulo, Campinas e Santa Inês, no Maranhão. Março trouxe Presidente Prudente e Recife. Araguaína entrou em julho, Manaus em setembro e, agora, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro completam o novo capítulo. São 12 praças distribuídas por nove estados, com uma operação que combina televisão, rádio, plataformas digitais e streaming.
A minha leitura é que Tutinha está apostando numa vantagem muito concreta da televisão aberta: a distribuição gratuita ao público. Num mercado em que marcas disputam atenção nas redes sociais, no streaming e nos canais tradicionais, ampliar a presença regional pode fortalecer o portfólio comercial da Jovem Pan. Mas a expansão também coloca uma cobrança sobre a mesa. Será preciso transformar disponibilidade de sinal em público, relevância e receita. Sem esses resultados, o mapa fica bonito na apresentação e a planilha continua fazendo cara feia.

Desliguei a chamada da Paulista, olhei pela janela aqui em Sintra e voltei a pensar na minha manicure. Tutinha está colocando a Jovem Pan em mais cidades, Pelégio tem o desafio da programação e Zagari, o da monetização comercial. Eu aprovo a ambição da jogada. Agora quero ver a próxima temporada: audiência, anunciantes e resultado. Porque retransmissora espalhada pelo Brasil é uma beleza, meus amores. Mas o verdadeiro sucesso da expansão aparece quando o público sintoniza e o mercado responde.