Eu vou confessar uma coisa, meu amor: eu tenho um fraco por evento que nasce querendo ser feirinha corporativa e termina com pose de plataforma estratégica da cidade. O TurisMall encerrou sua primeira edição no Rio com visita institucional aos Estúdios Globo, reunião de secretários de turismo, agentes, gestores públicos, Convention & Visitors Bureaux e um anúncio que já veio com batom vermelho na lapela: tem edição 2027 confirmada, de novo na capital fluminense. Eu estava aqui no Cosme Velho, tentando fingir maturidade editorial, mas bastou eu ler “Estúdios Globo” e “1.800 agentes” para abrir um documento novo com aquela energia de quem vê o turismo tentando flertar com poder, imagem e mercado no mesmo corredor com ar-condicionado central.

O evento ocupou espaços bem simbólicos da cidade, tipo Museu do Amanhã, MAR, Casa Firjan, Copacabana Palace, Roxy Dinner Show e a Associação Comercial do Rio. Ou seja, meus fofoqueiros, o TurisMall não quis só acontecer, quis circular com crachá e vocação de vitrine. Cerca de 1.800 agentes passaram pelas atividades, que também tiveram presença do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, além de secretários estaduais e municipais. A idealizadora Mônica Medeiros vendeu o projeto como espaço permanente de diálogo internacional sobre turismo, negócios e inovação, e eu entendo a ambição. O turismo brasileiro adora um power point apaixonado, mas aqui pelo menos teve corpo, agenda e gente de vários cantos do país. Já ajuda muito a sair daquela estética sofrida de seminário com café morno e aplauso protocolar.
Outra camada curiosa veio nas caravanas. Foram 16 ao todo, reunindo cerca de 1.200 participantes de todos os estados do Brasil, com destaque para uma caravana com 121 integrantes, incluindo agentes dos 26 estados e do Distrito Federal. Isso tem valor simbólico, claro, e também dá musculatura política para o evento, porque integra gestores, líderes do setor e profissionais do turismo em escala nacional. Eu, que sou perua mas presto atenção em bastidor de articulação, sei reconhecer uma jogada de posicionamento de cidade. O Rio foi usado como palco de experiência, de networking e de vitrine institucional. E aí, meu bem, entra a visita aos Estúdios Globo, esse momento em que o turismo resolve cruzar as pernas e conversar com o audiovisual, abraçando o tal turismo de tela, aquele fenômeno em que cinema e televisão influenciam a escolha de destinos. Achei esperto. Um pouco sedutor até. Quase um namoro B2B com filtro bonito.
Teve ainda um bloco importante de capacitação, com palestras no Museu do Amanhã e curadoria de Thiago Akira, além de falas de nomes como Carolina Stolf, da Embratur, e Saulo Boccanera. Os temas passaram por diversidade, sustentabilidade, afroturismo, etnoturismo, turismo LGBTQIA+ e experiências autênticas e inclusivas como motores de crescimento. Gostei disso porque dá alguma densidade ao encontro e evita que tudo vire só troca de cartão com sorriso treinado. Também houve espaço para negócios, com expositores, operadoras, consolidadoras e destinos apresentando projetos e oportunidades. Entraram na roda nomes como Aeropatra, BBC Eventos, AINA Travel, OTT e representantes de Nova Iguaçu destacando ecoturismo, cicloturismo, aventura e hotelaria. A essa altura eu já estava rindo sozinha, porque o TurisMall parecia aquele personagem ambicioso de série boa: quer ser fórum, feira, vitrine, laboratório e sala VIP ao mesmo tempo.

A verdade é que a estreia saiu com cara de teste bem-sucedido e com desejo claríssimo de virar tradição. A segunda edição para 2027 foi confirmada antes mesmo de a poeira do primeiro encontro baixar, o que mostra que a organização quis transformar entusiasmo em calendário enquanto o setor ainda estava de crachá no peito e mala de rodinha na mão. Eu acho compreensível. Em turismo, quem demora demais para anunciar o próximo passo perde palco, buzz e a fantasia de centralidade. Então anota aí, meu comitê de análise: o TurisMall terminou a primeira rodada se vendendo como hub de conexões, inovação e negócios, com pitadas de audiovisual, inclusão e ambição carioca. E, convenhamos, para um evento estreante, sair do Rio já com 2027 no bolso e Projac no currículo é uma maneira bem eficiente de dizer ao mercado que ele não pretende ser figurante.