Eu estava no Café Mambo, em Ibiza, segurando mesa para o pôr do sol como quem segura camarote em final de Copa, quando a mensagem chegou. A primeira taça ainda nem tinha suado na mesa e eu já estava lendo “tumor no timo”. Nessas horas, a coluna baixa o volume da ironia, ajeita os óculos e presta atenção direito.
Alex Escobar, de 51 anos, passou por uma cirurgia nesta quinta-feira (6), na Casa de Saúde São José, na Zona Sul do Rio de Janeiro, para retirar um tumor no timo, glândula localizada na região do tórax e ligada ao sistema imunológico.

O problema começou a chamar atenção durante a cobertura da Copa do Mundo de 2026. No dia 22 de junho, Escobar participava ao vivo do programa Encontro, diretamente de Nova Jersey, nos Estados Unidos, quando apresentou dificuldade para falar durante a transmissão.
Na época, a explicação inicial foi de que o jornalista havia sofrido um pico de pressão provocado pelas altas temperaturas do verão americano. Ele chegou a ser atendido em um hospital local e, dias depois, deixou a cobertura do Mundial para retornar ao Brasil.
Foi justamente durante a investigação médica que surgiu o diagnóstico de miastenia, uma doença autoimune que compromete a comunicação entre nervos e músculos e costuma provocar fraqueza muscular, afetando principalmente a fala, a mastigação e outros movimentos voluntários.
Ou seja, o episódio exibido ao vivo não era apenas um mal-estar passageiro. O organismo já dava sinais de que algo mais sério estava acontecendo.
Durante a bateria de exames, os médicos também identificaram um tumor de aparência benigna no timo. A retirada da glândula, procedimento conhecido como timectomia, costuma fazer parte do tratamento de pacientes com miastenia quando existe esse tipo de alteração.
Eu fiquei olhando para o mar de Ibiza com o celular na mão e pensando que a vida muda de roteiro sem pedir autorização. Um dia a pessoa está entrando ao vivo de uma Copa do Mundo. No outro, está discutindo cirurgia, diagnóstico e recuperação com uma equipe médica.
Segundo informações divulgadas pelo ge, a cirurgia foi bem-sucedida e Alex Escobar passa bem. A expectativa é que o procedimento contribua para o controle dos sintomas da doença autoimune.
Um detalhe que ajuda a entender toda a sequência dos acontecimentos é que o apresentador estava treinando normalmente antes da operação e já tinha férias programadas desde antes da Copa. O afastamento acabou coincidindo com o período necessário para realizar exames, confirmar o diagnóstico e organizar o tratamento.
Enquanto o sol começava a descer sobre Ibiza e um garçom passava equilibrando uma bandeja de croquetas de jamón, fiquei pensando que corpo não respeita calendário de emissora, transmissão esportiva ou entrada ao vivo. Quando ele resolve avisar, o melhor a fazer é escutar.
Agora, a torcida é para que Alex Escobar volte à televisão completamente recuperado. Depois de tanto susto, essa será, sem dúvida, a melhor notícia para quem acompanha sua trajetória.