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Kátia Flávia
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Trump se recusa a pedir desculpas por vídeo racista com Obama e trata ataque como distração

O presidente dos Estados Unidos disse que não cometeu erro ao compartilhar vídeo que retrata Barack Obama e Michelle Obama como macacos. A publicação foi apagada após forte reação, mas Trump minimizou o episódio e descartou qualquer pedido de desculpas.

Kátia Flávia

07/02/2026 9h00

O presidente dos Estados Unidos disse que não cometeu erro ao compartilhar vídeo que retrata Barack Obama e Michelle Obama como macacos. A publicação foi apagada após forte reação, mas Trump minimizou o episódio e descartou qualquer pedido de desculpas.

Eu acordo, abro o noticiário internacional e dou de cara com Donald Trump fazendo o que ele sabe fazer melhor, provocar, ofender e depois fingir que foi só uma bagunça de bastidor. Desta vez, o alvo foi pesado. Um vídeo publicado na Truth Social retratando Barack Obama e Michelle Obama como macacos. Racismo cru, sem filtro, sem metáfora elegante, sem margem para interpretação criativa.

O material só saiu do ar depois da reação internacional. Mesmo assim, Trump decidiu dobrar a aposta. Disse que não viu o vídeo inteiro, jogou a culpa na equipe, chamou o episódio de distração e soltou a frase que resume o espírito da coisa, “não cometi erro”. Traduzindo do trumpês para o português claro, não peço desculpas e não vou pedir.

Eu observo isso com aquele silêncio interno de quem já viu esse filme e sabe que o roteiro é velho. Publica, testa o limite, mede o barulho, recua um centímetro e segue em frente como se tivesse tropeçado num fio invisível. O detalhe é que não se trata de meme bobo nem de piada mal contada. É uma agressão simbólica pesada, com histórico, contexto e intenção política.

Trump ainda tentou enquadrar o vídeo como paródia ligada a uma suposta fraude eleitoral na Geórgia em 2020. Paródia é quando todo mundo ri. Aqui, ninguém riu. O que houve foi indignação, cobrança e a velha tentativa de empurrar o assunto para debaixo do tapete vermelho da Casa Branca.

A porta-voz presidencial entrou em cena para classificar a repercussão como distração. Eu adoro essa palavra no vocabulário político moderno. Distração virou sinônimo de problema grande que incomoda. Quando chamam assim, pode apostar que doeu.

O mais revelador é que, mesmo depois de apagar o post, Trump fez questão de deixar claro que não se arrepende. Disse que alguém não olhou direito, que o vídeo escapou e pronto. Nenhuma frase de contenção, nenhum gesto simbólico, nenhum recuo moral. É o estilo dele, agressivo, calculado e absolutamente confortável com o choque.

Eu comento isso sem rodeio porque não é fofoca, é poder em estado bruto. Quando um presidente normaliza esse tipo de ataque, o recado ultrapassa o vídeo e chega direto na base que se sente autorizada a repetir, ampliar e legitimar o discurso.

No meu caderno de colunista surtada, isso entra como mais um capítulo da novela internacional em que o escândalo nunca é acidente e o pedido de desculpas jamais faz parte do figurino. Trump segue em frente, como se nada tivesse acontecido, apostando que o próximo barulho vai abafar o anterior. E, infelizmente, muitas vezes funciona.

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