Eu estava aqui, cercada de gente que gosta de notícia apurada, quando o roteiro político americano resolveu virar filme de mau gosto, e minha gente põe mau gosto nisso!!! Donald Trump publicou na sua rede social um vídeo com montagem racista que coloca os rostos de Barack e Michelle Obama sobre corpos de macacos. Dura cerca de um segundo. O estrago é instantâneo.
A postagem vem embalada por uma teoria conspiratória velha conhecida. O vídeo repete alegações falsas sobre a empresa de apuração de votos Dominion Voting Systems e a eleição de 2020, vencida por Joe Biden. Nada novo no conteúdo. O choque está no método.
A reação foi imediata. O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, chamou a publicação de comportamento repugnante e cobrou denúncia pública por parte de republicanos. A crítica não veio isolada. Aliados do ex-presidente Barack Obama também condenaram o material e apontaram o caráter racista da mensagem.
O vídeo recebeu milhares de curtidas nas primeiras horas, detalhe que eu anoto sem maquiagem. Engajamento não é sinônimo de aprovação moral. Às vezes é só o barulho de uma plateia atraída pelo escândalo.
O material usa trilha sonora irônica e insere o casal Obama sem qualquer relação direta com a denúncia apresentada. O próprio texto que acompanha o vídeo não cita os dois. A escolha da imagem fala por si e diz mais sobre quem publica do que sobre quem aparece.
Barack Obama segue sendo o único presidente negro da história dos Estados Unidos e apoiou Kamala Harris na disputa eleitoral de 2024. Esse contexto ajuda a entender por que a reação foi tão dura e tão rápida.
Eu observo e registro. Política americana vive de tensão permanente, mas racismo explícito não é estratégia, é sinal de degradação do debate. Notícia dada, contexto colocado. O resto é ruído que não merece aplauso.