Eu vou te confessar uma coisa, esse tipo de capítulo me deixa com raiva de personagem como se fosse vida real. Em Três Graças, Joélly vive um pesadelo daqueles que a gente assiste com a mão no peito e o olho cheio d’água. Depois de um acidente de carro, ela entra num parto prematuro e é levada para uma clínica clandestina. Só que o horror não para no susto do parto. Vem o golpe mais cruel, arrancam a filha dos braços dela antes mesmo do primeiro abraço.
Ainda grogue por causa da sedação, Joélly mal entende o que está acontecendo. E aí entra Samira, a mandante fria, que transforma bebê em encomenda. Sob o pretexto de levar a recém nascida para o berçário, a bebê é tirada de cena, como se fosse pacote. No estacionamento da clínica, colocam Joélly numa maca dentro de uma ambulância descaracterizada, e nesse instante ela recobra os sentidos por um segundo, só para ver o impossível. Samira segurando um moisés, o paninho cai, o rostinho aparece, e Joélly só consegue balbuciar, minha filha.

Samira não treme. Ela dá a ordem com uma naturalidade de vilã profissional, manda largar a garota e pronto. E é isso que fazem. Joélly é deixada dopada, passando muito mal, num banco na porta do posto de saúde da Chacrinha, jogada como se fosse descartável. De noite, os enfermeiros clandestinos somem e ela fica ali, entre a vida e a morte, enquanto o mundo passa.
O destino dela muda porque gente comum percebe o absurdo. Pacientes na fila veem o estado crítico, alguém grita que a menina está passando mal, e aí começa o corre para socorrer. Só que, enquanto Joélly delira e repete que quer a filha, a criança já está em outro colo. Samira entrega a bebê para Lena, como quem conclui um negócio, depois de receber uma fortuna em dinheiro vivo.

Eu assisto isso e penso, é novela, eu sei. Só que tem cena que dá vontade de entrar na tela e puxar o cabelo da vilã com calma, sem pressa, só para ela entender que mãe nenhuma esquece o rosto de um filho. E Joélly viu. Mesmo por um segundo, ela viu.