Eu estava aqui em Milano tentando fingir que tenho vida europeia e compromissos sofisticados, quando os spoilers de Três Graças chegaram e destruíram qualquer pretensão de elegância. Largei tudo, abri o notebook e fiquei olhando para a tela com aquela mistura de horror e deleite que só novela das nove consegue provocar. Hoje o Brasil para às 21h20 e quem não parar vai se arrepender na quinta.
O capítulo desta quarta é o seguinte: Lígia aparece no escritório de Ferette furiosa com a prisão de Gerluce, atravessa a sala e entrega uma bofetada no empresário sem protocolo, sem discurso, sem nada. Arminda tenta apagar o incêndio, mas Ferette não perde o compasso e manda mostrar uma foto de Samira com a bebê de Joélly e Raul, colocando a proposta podre na mesa: devolve o paradeiro da criança se Lígia devolver o dinheiro da estátua. Macedo entra com seguranças, Lígia é arrastada para fora, transtornada e de mãos vazias.
Os perfis de fãs nas redes já estão em ebulição desde que o resumo vazou de manhã. “Ferette cruzou todos os limites”, “Arminda merecia roteiro melhor”, “usar a bebê assim é pesado demais” o público chega no capítulo de hoje com opinião formada, posição definida e dedo no gatilho do comentário. Esse tipo de antecipação coletiva é o que transforma episódio em acontecimento nacional.
O que me deixa de queixo caído é a precisão cirúrgica da maldade de Ferette: ele não grita, não quebra nada, não faz cena. Ele abre uma fotografia e espera. Usar uma criança como alavanca de chantagem com essa frieza calculada é construção de vilão que fica na memória da temporada, e o roteiro entregou essa cena sabendo exatamente o tamanho do estrago que ia causar.
Eu cá de Milano já estou com o notebook posicionado, o vinho escolhido e o grupo de amigas em modo alerta. Às 21h20 o Brasil para e quem não assistir vai passar a quinta inteira tomando spoiler de todo lado, sem dó e sem aviso.