Meu povo, eu precisei pausar a vida porque o Brasil é um país movido a duas coisas. Café e castigo de vilão em novela das nove. E Três Graças entendeu isso com uma clareza assustadora, porque bastou Raul levar um tapa bem dado de Gerluce e pronto, audiência lá em cima, recorde pelo segundo dia seguido, e a internet em coro pedindo mais.
A cena que virou combustível foi aquela em que Gerluce descobre que Raul vendeu o bebê de Joelly para uma quadrilha de tráfico humano e resolve conversar do único jeito que a teledramaturgia popular respeita. Com a mão. Só que, meu amor, o público não estava satisfeito com um tapa. O público queria um combo, queria punição com parcela única, queria ver o sujeito pagando com juros.
E os números entregam o tamanho do climão. De acordo com os dados obtidos pelo Notícias da TV, o folhetim de Aguinaldo Silva marcou 26,0 pontos na terça-feira em São Paulo. A novela ampliou em um décimo a melhor marca, que era a média de 25,9 na segunda. Um décimo que, na prática, vale ouro, porque recorde é recorde e recorde dá manchete, dá buzz e dá aquele sorriso de quem manda no horário nobre.
Eu vou te dizer, meu bem, o povo liga a TV como quem abre o aplicativo do caos. A cena repercutiu nas redes, teve gente confessando que assistiu só para ver Raul apanhando e, no fim, reclamou que foi pouco. Um perfil no X basicamente resumiu o sentimento nacional. Vim ver o Raul apanhando e ele só tomou um tapa. Eu gargalhei com culpa, porque eu também tenho esse lado, eu admito.
Outros comentários foram ainda mais ácidos, dizendo que Gerluce precisava ser mais dura com Raul e Joelly, já que o crime que eles cometeram não é erro de esquina, é coisa grave, cruel, que dá raiva de verdade. Teve gente dizendo que não ver Raul com a cara arrastada no asfalto adoece. E teve quem completou que está nascendo personagem mais irritante do que eles, chamando os dois de inúteis que vendem o próprio filho e ainda se fazem de vítima. Meu povo, isso aqui é tribunal popular em tempo real, sem toga, mas com muita indignação.
E o mais curioso é como Três Graças acerta o gatilho da audiência. Ela mistura trama pesada, vilania explícita e catarse coletiva. O público quer justiça, quer choque, quer ver a história punindo quem merece, e quer isso com força, com consequência, com cena de impacto. Um tapa abre a porteira, mas a plateia já está pedindo a boiada inteira.
No meio disso, a novela ainda começou a semana 20 com mais audiência do que o remake de Vale Tudo, e isso é uma mensagem direta para o mercado. O público está grudando em Três Graças porque ela entrega emoção e revolta no mesmo prato, e o brasileiro come isso como quem maratona série, só que ao vivo, com comentário no celular.
Eu, Kátia, vou ser sincera. Se o povo está ligando a TV só para ver Raul apanhando, a produção precisa entender o recado do Ibope e do Twitter. O Brasil não quer só o tapa simbólico. O Brasil quer cena de ajuste de contas com direito a aplauso na sala e meme na internet.