Suzana Alves voltou a falar sobre a época em que viveu a Tiazinha e revelou que se sentiu traída pela equipe de Luciano Huck quando soube da chegada da Feiticeira, personagem de Joana Prado, ao programa. Em entrevista a Daniela Albuquerque, no Sensacional, ela contou que recebeu a notícia minutos antes da estreia ao vivo e que a situação a deixou em lágrimas.
Eu tinha acabado de chegar ao hotel em Ibiza, ainda com areia de Cala Comte grudada na perna e a bolsa de palha jogada em cima da poltrona de linho, quando essa entrevista apareceu no celular. Nem deu tempo de tirar o protetor do ombro. Li “Tiazinha”, “Feiticeira” e “traição” na mesma chamada e voltei direto para aquele Brasil de máscara, chicotinho, audiência alta e camarim com cheiro de laquê e tensão.

Suzana disse que a chegada da Feiticeira foi um baque. “Me chamaram no camarim cinco minutos antes de ela entrar no programa ao vivo. Só lembro que fiquei triste, fui chorar”, afirmou. Segundo ela, a dor não tinha relação pessoal com Joana Prado, mas com a forma como a direção e Huck conduziram a novidade.
“Chorei só porque me senti traída. Nada a ver com a Joana, mas com a direção e com o Luciano”, recordou Suzana. A ex-Tiazinha também negou que houvesse uma briga real entre as duas. “A gente não se falava, mas não que a gente tenha discutido. […] A mídia criou essa rivalidade.”
Eu larguei a sandália na porta do banheiro nessa hora, porque esse é o tipo de bastidor que a televisão dos anos 1990 empacotava como competição feminina, quando muitas vezes era só gente jovem sendo colocada para disputar espaço sem nem poder entender o tabuleiro. O público via fantasia. A moça ali dentro via contrato, pressão, silêncio e comparação.
Suzana também refletiu sobre como o sucesso da personagem engoliu sua identidade. “Não tinha mais voz nem opinião e não me conhecia, porque eu era muito nova. A personagem ficou muito maior do que eu. Passei a ser chamada por um nome que não era o meu”, disse.
A artista ainda falou sobre solidão e desilusões provocadas pela fama. “Achava que ia me divertir, mas percebi que não tinha amigos de verdade, que era tudo interesse. Percebi que as pessoas mentiam, eram gananciosas e que estava sendo usada. Assinei muitos contratos em que confiei.”
Eu fui lavando a mão na pia, olhando a areia descer pelo ralo, e pensei que a história da Tiazinha talvez seja menos sobre sensualidade e mais sobre uma garota que virou produto antes de virar dona da própria voz. A Feiticeira entrou como novidade, o programa ganhou assunto, a mídia inventou duelo, e Suzana carregou por anos uma rivalidade que ela diz nunca ter comprado.

Agora, falando do livro Por Trás das Máscaras, Suzana parece estar justamente desmontando a fantasia por dentro. E convenhamos: a máscara da Tiazinha fez história, mas o bastidor que ela está contando agora talvez explique muito mais do que qualquer chicotinho em horário nobre.