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Kátia Flávia
Kátia Flávia

Tragédia de corretora assassinada por síndico revela gravidade de conflitos mal resolvidos em condomínios

Casos de abuso de poder aliados à falta de mediação podem ultrapassar o campo administrativo e trazer resultados irreparáveis

Kátia Flávia

30/01/2026 12h00

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Morte de corretora reacendeu o debate sobre o papel da administração condominial na prevenção de conflitos de vizinhança. Foto: Freepik

Amores, pensem numa notícia que me tirou o sono! Foi o desfecho daquele caso em Caldas Novas. O que aconteceu com a corretora Daiane Alves é aquele tipo de tragédia que nos faz repensar os limites do poder e a importância de não deixar “picuinha” virar uma bola de neve.

O assassinato da corretora de imóveis pelo síndico Cleber Rosa de Oliveira expôs uma realidade recorrente em muitos condomínios: atritos mal administrados que podem resultar em situações extremas.

O que começou como um desentendimento pontual revelou um ambiente marcado por disputas de poder e falhas na mediação das situações conflituosas. A tragédia reacendeu o debate sobre os limites da autoridade do síndico e o papel da administração condominial.

Daiane Alves foi encontrada morta após 42 dias de desaparecimento, em uma área de mata em Ipameri, no sul de Goiás. O caso segue em investigação pela Polícia Civil que prendeu Cleber Rosa de Oliveira e o filho dele, Maicon Douglas de Oliveira, por suposta participação crime.

O que mais assusta, é que o “clima pesado” já existia.

A investigação demonstrou que já existia um histórico de conflitos entre a corretora Daiane e o síndico Cléber que já estava na esfera da Justiça. A vítima já teria relatado à família ter sofrido perseguições e agressões verbais e buscado ajuda na polícia após vários desentendimentos.

Era uma tragédia anunciada por um ambiente de disputa de poder e falha na mediação.

O advogado especialista em Direito Condominial, Gabriel Barto, explica que são comuns casos de conflitos entre moradores e síndicos, especialmente em condomínios de médio e grande porte e condomínios turísticos. “O condomínio é um ambiente de convivência forçada entre os moradores com interesses distintos e que precisam seguir as mesmas regras internas que impactam diretamente a vida dessas pessoas. E isso naturalmente gera atritos”, pontua.

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Advogado especialista em Direito Condominial – Gabriel Barto. Foto: divulgação

Barto afirma que existe um volume expressivo e crescente de demandas judiciais envolvendo conflitos em condomínios entre síndicos e moradores, a maior parte relacionada ao abuso de poder.

“Acompanhamos muitos pedidos na Justiça de aplicação irregular de multas, restrições indevidas e conflitos na administração de ordem financeira, ausência de prestação de contas e gestão autoritária. Muitos casos poderiam ser resolvidos pelo diálogo, mas infelizmente se transformaram em brigas sem controle com desfechos gravíssimos, incluindo a perda da vida de pessoas”, observa.

Para evitar que a situação chegue a um ponto sem volta, o especialista orienta um passo a passo para moradores e síndicos.

Segundo o advogado, os condomínios precisam adotar medidas de prevenção de conflitos como forma de resolver de forma mais pacífica possível os atritos entre moradores e síndicos. “A primeira medida é sempre administrativa e civil, por meio dos mecanismos criados pelo próprio condomínio e seus condôminos. Existe uma convenção e o síndico não atua de forma isolada, ele deve sempre respeitar os limites legais e jamais partir para confrontos pessoais com os moradores”, orienta.

De acordo com o especialista, quando houver situação de abuso de poder, seja por parte de um morador ou do síndico, a pessoa incomodada deverá formalizar uma reclamação, sempre por escrito, tomando como base a convenção do condomínio. O advogado acredita que o uso dos canais consensuais de forma adequada preservam a boa convivência e reduzem muito os litígios.

A lição que fica: Para Barto, adotar medidas para estabelecer convenções bem estruturadas, canais formais de reclamação com governança, registros documentais e assembleias atuantes ajudam a prevenir o agravamento de conflitos.

Barto ressalta que a mediação e conciliação são as medidas mais recomendadas para se resolver conflitos em condomínios. “É uma forma mais rápida e ágil de restabelecer o diálogo, de uma forma pacífica e com menos custos. Por isso, muitos condomínios estão buscando essa via para colocar fim a conflitos internos”, completa. Outra vantagem da conciliação citada pelo advogado é a confidencialidade, garantindo às partes total proteção do que foi discutido e preservando sempre a boa convivência.

Respeito e diálogo não são opcionais, são sobrevivência! O advogado reforça que o caso de Caldas Novas deixa uma importante lição sobre a gestão de conflitos em condomínios, demonstrando que disputas não podem ser tratadas no campo pessoal ou emocional.

“A personalização dos conflitos, o abuso de poder e a ausência de mecanismos de controle aumentam significativamente o risco de escalada da violência. E esse episódio reforça a importância da prevenção, por meio de convenções bem estruturadas, canais formais de reclamação, assembleias mais participativas e do uso efetivo da mediação e da conciliação”, conclui.

Enfim, meus amores, que a história da Daiane não seja esquecida e que sirva para que cada um de nós fique mais atento aos sinais de abuso de poder ao nosso redor.

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