Amores, atenção que eu vou falar devagar para ninguém se perder no roteiro. Eu, Kátia Flávia, já contei ontem que Oruam virou foragido, que o STJ revogou a liminar, que a Justiça mandou prender e que a polícia saiu para caçar o rapaz como figurante que faltou ao ensaio geral. Isso já está na conta.
A notícia de hoje é outra, mais precisa, mais cirúrgica e com cheiro de curto circuito. A tornozeleira eletrônica de Oruam está desligada desde domingo. Desde domingo. Não é metáfora, não é força de expressão, é dado oficial.
Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária, o equipamento permanece descarregado desde o dia 1º de fevereiro, o que inviabiliza completamente o monitoramento. Traduzindo para o idioma da vida real, a Justiça perdeu o sinal do artista antes mesmo de a prisão preventiva ser decretada.

Esse detalhe virou protagonista no despacho do ministro Joel Ilan Paciornik, que apontou histórico reiterado de descumprimento das medidas cautelares. O placar assusta, 66 violações registradas desde novembro, com 21 consideradas graves só em 2026, a maioria ligada à ausência de carregamento da tornozeleira. É o tipo de dado que juiz lê com a sobrancelha arqueada.
A defesa insiste que houve falhas técnicas e nega qualquer intenção de descumprir ordens judiciais. Só que, no mundo real da Justiça, tornozeleira desligada desde domingo não combina com discurso de controle ativo.
A partir daí, o efeito dominó veio rápido. Liminar revogada, prisão preventiva restabelecida e mandado expedido. Quando a polícia foi atrás, o artista já estava fora do radar.