Estava aqui em Veneza, entre a névoa do canal e um aperitivo que ninguém me ofereceu, quando chegou um release do Ministério de Portos e Aeroportos que fez meu coração de publicitária palpitar de verdade. R$ 53,5 milhões para um aeroporto no interior do Maranhão. Gente, o agronegócio chegou até a pista de pouso.
O ministro Tomé Franca assinou, na quarta-feira (1°), o termo de compromisso para investimento no Aeroporto de Barra do Corda, com recursos integralmente federais. O pacote vem em duas etapas: R$ 32 milhões liberados de imediato para construção da pista de pouso e decolagem com 1.450 metros, taxiamento, pátio para aeronaves comerciais e sinalização noturna, mais R$ 21,5 milhões para o novo terminal de passageiros. O governador Carlos Brandão estava na mesa, o prefeito Rigo Teles também, e o presidente do TCU, Vital do Rêgo, completou a solenidade com discurso de quem sonhava com essa obra desde a época de deputado.
No digital, o anúncio voou pelos grupos de WhatsApp do agro maranhense, prefeitos de cidades vizinhas resharing o post do governador e pelo menos dois senadores do estado que haviam sumido do debate público nos últimos meses reapareceram nos stories com foto da assinatura. Memória curta, wi-fi comprido.
A leitura que faço daqui da lagoa é a seguinte: Barra do Corda fica no centro geográfico do Maranhão, rodeada por mais de 30 municípios que dependem de estrada ruim e logística do século passado. Um aeroporto funcional nesse ponto atende ao agronegócio regional de forma estrutural, e todo mundo que estava naquela foto segurando o documento sabe que aeroporto em ano pré-eleitoral fotografa muito bem.
R$ 53,5 milhões, pista nova de 1.450 metros e o presidente do TCU na solenidade. Alguém avisa que o Maranhão saiu da sala de espera.