Carlos Boulos, dentista de 80 anos e tio do ministro Guilherme Boulos, foi atropelado após uma discussão de trânsito na Avenida 23 de Maio, na região central de São Paulo. O caso foi registrado pelo 78º Distrito Policial como tentativa de homicídio, e a Polícia Civil busca identificar e localizar o motorista que deixou o local.

Eu estava no banco de trás do carro, com a mala ao meu lado e a mudança de hospedagem finalmente em andamento, quando vi as imagens. E o silêncio tomou conta do carro por alguns segundos. Porque briga de trânsito já é uma tragédia anunciada; atropelar alguém e fugir é um outro grau de violência.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, Carlos dirigia uma Toyota Hilux quando se envolveu em uma colisão com um Fiat Palio branco. Depois da batida, ele desceu da caminhonete para conversar com o outro motorista.
Eu apertei a alça da bolsa e pensei em quantas discussões de trânsito começam com uma buzina, uma fechada e uma frase atravessada. Só que, nesse caso, a conversa não chegou a existir. Testemunhas relataram que o motorista do Palio avançou com o carro na direção de Carlos.
As imagens gravadas por uma pessoa que acompanhava a discussão ajudaram a polícia a identificar a placa do veículo. De acordo com relatos colhidos na ocorrência, Carlos tentou parar o automóvel colocando a mão no para-brisa, mas foi atingido, arrastado e ficou sob o carro antes de o motorista fugir.
Eu virei o rosto para a janela e vi as luzes do fim da tarde passando, mas não consegui tirar essa cena da cabeça. Não é acidente quando alguém acelera na direção de outra pessoa. É exatamente por isso que a investigação trata o caso como tentativa de homicídio, e não como uma simples ocorrência de trânsito.
Carlos foi socorrido no local por uma ambulância que passava pela avenida. Samu e Polícia Militar também foram acionados. Ele foi levado a um hospital, cujo nome não foi divulgado; a Band informou que a vítima permanece internada em estado grave, enquanto a família ainda não detalhou oficialmente o quadro clínico.
Eu pedi para o motorista reduzir um pouco ao entrar na rua da nova hospedagem, porque a notícia deixa uma coisa muito clara: carro não é armadura para transformar irritação em agressão. Atrás de cada volante existe uma pessoa, e do lado de fora também.

A assessoria de Guilherme Boulos confirmou o parentesco, mas não divulgou informações adicionais sobre a saúde de Carlos. A Polícia Civil analisa imagens, ouve testemunhas e faz diligências para localizar o responsável pelo atropelamento.