Brasil, senta que lá vem cena de novela das nove com figurino esportivo. Eu, Kátia Flávia, acordei sabendo que Tijucas, em Santa Catarina, resolveu acordar também para o pádel e entrou na rota do esporte com pose de protagonista. Nada de figurante suado no fundo da quadra. A cidade chega com quadra profissional dentro de um complexo gigante, daqueles que fazem arquiteto chorar de emoção e investidor abrir planilha com brilho no olho.
A tal quadra nasceu dentro do Flores de Sal, um bairro-cidade que eu já apelidei de Jardim Botânico do lifestyle catarinense. O espaço integra esporte, lazer, convivência e aquela sensação deliciosa de “olha onde eu moro”. É pádel jogado com vista para um projeto urbano que fala de parque, gente circulando, criança correndo, cachorro feliz e adulto fingindo que só foi ali caminhar, mas está de olho em tudo.

E não é pouca coisa, meu bem. O pádel virou febre real. O Brasil já soma centenas de milhares de praticantes, o mercado global gira bilhões e as quadras brotam como salão de beleza em bairro que gentrificou. Tijucas, esperta que só ela, pegou esse bonde na estação certa e botou a quadra no meio de um parque de 70 mil metros quadrados. Eu disse parque, não estacionamento improvisado.
A proposta é clara e eu adoro quando ninguém enrola. Uso gratuito, acesso público, agendamento organizado e funcionamento o dia inteiro. Democrático, porém chique. Popular, mas com aquele perfume de coisa bem feita. É o tipo de iniciativa que faz o povo comentar no grupo do condomínio e procurar no Google com pressa.

Nos bastidores, o discurso vem alinhado com a prática. A ideia é integrar esporte à vida cotidiana, estimular ocupação qualificada dos espaços e criar um ponto de encontro que funcione de verdade. Nada de equipamento abandonado virando cenário de foto antiga. Aqui a quadra entra como personagem fixo da trama urbana.
O projeto Flores de Sal é daqueles que adoram números grandes e eu também. Milhões de metros quadrados, milhares de moradores previstos, infraestrutura pensada, saneamento próprio, comércio estruturado, associação de moradores já funcionando antes mesmo da entrega. Parece exagero, mas não é delírio meu, é planejamento mesmo.

E claro que tem o lado que faz o povo suspirar. Lotes acessíveis, financiamento direto, promessa de valorização e aquela conversa que mistura qualidade de vida com oportunidade de investimento. É o tipo de assunto que começa como fofoca e termina em visita marcada.
No fim do dia, Tijucas entra em quadra com raquete nova, roupa bonita e postura de quem sabe o que está fazendo. Eu observo tudo com meu olhar treinado de quem já viu muita moda passar, muita tendência cair e algumas virarem estilo de vida. O pádel ali não parece passageiro. Parece capítulo longo, com várias temporadas e elenco fiel.