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Kátia Flávia
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Tiago Leifert corre para defender Neymar de novo, ataca dublador e leva invertida: “Não reduza meu trabalho”

Apresentador criticou leituras labiais usadas como se fossem prova contra jogadores; Gabriel Velloso rebateu após seu vídeo sobre Neymar e Edina Alves virar alvo da discussão

Kátia Flávia

30/08/2026 11h31

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Tiago Leifert criticou a possibilidade de leituras labiais da internet virarem prova em tribunais esportivos

Tiago Leifert colocou fogo numa discussão que já envolvia Neymar, a árbitra Edina Alves e um vídeo de leitura labial que viralizou nas redes. O apresentador criticou os chamados “dubladores de internet” e disse que esse tipo de conteúdo pode ser divertido, mas não deveria ser tratado como prova em investigações ou julgamentos esportivos.

Eu estava na sala de jantar polindo a travessa de prata que só sai do armário em domingo de almoço quando vi o vídeo. Parei com o pano na mão. Porque, de repente, não era mais Neymar discutindo com a arbitragem. Era Tiago Leifert questionando a leitura labial, o especialista respondendo e todo mundo disputando quem tem autoridade para dizer o que saiu da boca do craque.
“Eu tô vendo dublador que dubla cara de costas”, disse Tiago em seu canal. “Acho divertido, mas não pode virar uma parada forense.” O apresentador citou justamente o caso envolvendo Neymar e Edina Alves, depois que uma leitura labial apontou supostas ofensas do jogador à árbitra durante Santos e Mirassol.

Tiago foi direto ao falar da repercussão do vídeo: “Parece que pegaram uma dublagem, acho que foi até do Neymar com a Edina, e querem já usar no STJD em tribunal. Pô, não pode, gente. Aí não”. A crítica dele não foi à fofoca de arquibancada em si, mas ao risco de uma interpretação virar prova com peso jurídico.

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Neymar contestou a interpretação de Gabriel Velloso sobre a discussão com a árbitra Edina Alves.

Só que Gabriel Velloso, responsável pelo vídeo, ouviu o recado e decidiu responder. “Se você estiver falando de mim, Tiago, eu queria que você apontasse um vídeo meu que eu fiz leitura labial de costas”, afirmou. E completou: “A partir do momento em que o Neymar comenta em um vídeo e você fala isso, vocês descredibilizam o meu trabalho para milhares de pessoas que não me conhecem”.

A travessa ficou brilhando, mas eu fiquei mais interessada nessa troca. Porque Velloso não aceitou ser chamado de dublador de internet. Ele disse que estudou leitura orofacial e que seu processo não se limita ao movimento da boca: leva em conta articulação, corpo, ritmo da fala, sotaque, contexto, ambiente e estado emocional da cena.

O próprio Velloso, porém, concordou com uma parte importante da fala de Tiago: seus vídeos não deveriam ser usados pelo STJD como prova. “Eu não quero prejudicar ninguém”, disse. O conteúdo divulgado por ele trazia o aviso de que era uma leitura técnica e interpretativa, com margem de erro e sem valor de transcrição oficial.

Neymar já havia contestado a interpretação de Velloso, dizendo que havia “muita coisa errada” no vídeo. O especialista rebateu e manteve que trabalha para chegar à maior precisão possível, mas reconhece que leitura labial não é ciência exata.

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Gabriel Velloso respondeu a Tiago Leifert e pediu que seu trabalho não seja reduzido a “dublagem de internet”

No fim, Tiago diz que não dá para transformar internet em perícia. Velloso diz que não quer ver o trabalho reduzido a uma dublagem inventada. Neymar nega a interpretação. E Edina Alves, que deveria estar só apitando um jogo, virou o centro de uma novela com jogador, jornalista, tribunal e leitura de lábios.

Guardei a travessa, alinhei os pratos na mesa e concluí que futebol brasileiro não precisa de muito para virar série de tribunal. Basta uma discussão em campo, um vídeo sem áudio e três homens querendo explicar exatamente o que aconteceu. A bola, coitada, ficou por último.

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