Meus amores, eu estava em Roma, mexendo no cabelo depois da cabeleireira e tomando um suco de pera com cara de riqueza discreta, quando o corporativo resolveu me entregar um mimo com cheiro de fila premium. A Shell entrou oficialmente no circuito dos shows de The Weeknd no Brasil e decidiu vender essa história como quem conhece bem o valor de uma paixão pop bem abastecida. E eu entendo, porque mexeu com The Weeknd, mexeu com multidão, ansiedade coletiva e gente fazendo conta até no posto para chegar mais perto do ídolo.
O movimento é claro. A marca patrocina as apresentações da turnê After Hours Til Dawn Stadium no país e oferece condições especiais de ingresso para usuários do Shell Box Clube. As vendas começam em 5 de março, às 14h, pelo aplicativo, com acesso mediante pontos stix e valor monetário. No serviço, os shows confirmados são no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril, no Nilton Santos, e em São Paulo, em 1º de maio, no MorumBIS. A empresa também amarra esse patrocínio ao discurso de experiência, conveniência e fidelidade, aquele pacote completo que toda marca sonha em transformar em desejo.
The Weeknd, claro, ajuda muito porque não estamos falando de um cantor qualquer. Estamos falando de um astro global, dono de hits gigantes, superprodução visual e uma turnê que virou a maior de R&B da história, passando por América do Norte, Europa, Reino Unido, América do Sul e Austrália. A trilogia que embala essa fase junta After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow, então o show já chega ao Brasil com cara de evento que ninguém quer assistir de longe pelo story alheio. Meu bem, existe fã que ouve música. E existe fã que trata ingresso como missão diplomática.
O que eu acho mais engraçado nesses movimentos de marca é o seguinte. O povo jura que está falando de combustível, aplicativo e benefício, mas no fundo está todo mundo falando de acesso, desejo e status de pista ou cadeira boa. A Shell percebeu que cultura e música dão um banho de conexão emocional em muito anúncio quadrado, e foi lá se pendurar no brilho de The Weeknd com uma precisão quase cínica, o que eu digo com admiração genuína. Tô aqui em Roma, quase pausando a fofoca para marcar uma massagem, pensando que hoje o posto de gasolina quer abastecer carro, fidelidade e fantasia pop na mesma operação. E, sinceramente, para quem quer ver The Weeknd de perto, até a bomba vira personagem.