Amores estou aqui em Napoli, onde a Virgem está pintada em cada parede de cada viela desta cidade que respira fé desde antes de Cristo, chegou o vídeo de uma pastora brasileira chamando Nossa Senhora Aparecida de demônio. Não metaforicamente. Não em debate teológico. Com microfone, câmera, produção e intenção. Thalita Lemos, “demonologista” de ministério online com 70 mil seguidores, foi a um podcast e colocou a padroeira do Brasil na sua lista particular de entidades infernais.
A mulher que gerou Deus no próprio ventre. Essa. É demônio pra Thalita Lemos.
Sabe o que é Notre-Dame em Paris? Sabe o que é o Vaticano em Roma? A Basílica de Nossa Senhora Aparecida em Aparecida do Norte é a segunda maior basílica católica do mundo em capacidade. Cento e vinte milhões de católicos brasileiros. Cento e vinte milhões. E essa criatura foi a um podcast de entretenimento sobrenatural, o tipo que faz episódio sobre fantasmas e tabuleiro Ouija, e usou aquele palco pra chamar a padroeira desse povo de demônio que governa o Brasil como entidade de terreiro. Escolheu o alvo maior possível. Com câmera ligada. De propósito.
O digital pegou fogo, denúncias em massa foram organizadas, o perfil dela está sendo reportado em bloco, e vozes jurídicas já falam em crime de intolerância religiosa, que é tipificado, processável e resulta em reclusão de um a três anos no Brasil. Thalita Lemos, enquanto isso, silêncio. O perfil no ar. Os 70 mil seguidores intactos. A “batalha espiritual em alto nível” parece não incluir enfrentar as consequências do que se diz em público.
Não existe debate aqui. Debate pressupõe boa-fé. O que existe é uma mulher que monetiza medo espiritual, construiu audiência vendendo exorcismo como produto digital, e decidiu que a Virgem Maria, saudada pelo Arcanjo Gabriel como “cheia de graça”, recebida por Santa Isabel com “de onde me vem a honra de ter a mãe do meu Senhor”, era o alvo certo pra alavancar engajamento. Isso não é teologia. Isso é oportunismo com verniz de batalha espiritual.
Denunciem o perfil. Compartilhem o vídeo com contexto. Deixem o processo jurídico fazer o trabalho que precisa ser feito. Nossa Senhora Aparecida não precisa de defesa, ela é a padroeira do Brasil há séculos e vai continuar sendo quando Thalita Lemos e seu ministério online já tiverem sido esquecidos. Mas intolerância religiosa no ar livre, gravada e publicada, não passa em silêncio. Não desta vez.