Eu confesso. Fui para esse reencontro como quem vai assistir reprise de barraco famoso, com pipoca emocional pronta e olhar treinado para detectar microexpressão atravessada. A internet prometeu UFC do samba, troca de farpas coreografada e climão digno de final de reality. O que eu vi foi outra coisa. Foi quase um comercial de maturidade carnavalesca, com direito a pose ensaiada e zero torta na cara.
Desde que Virginia Fonseca sentou no trono de rainha de bateria, a memória da era Paolla Oliveira passou a ser tratada como relíquia sagrada, dessas que a escola guarda em altar com iluminação dramática. A coroação da influenciadora veio acompanhada de críticas, comparações, cobrança de presença, cobrança de samba e cobrança de tudo que a internet gosta de fiscalizar como se fosse síndica emocional do Carnaval.
O reencontro virou fantasia coletiva. Teve gente ensaiando thread antes mesmo de saber se elas estariam no mesmo espaço. A expectativa era de tensão histórica. O palco entregou outro roteiro.
Paolla chegou ovacionada, como estrela que nunca saiu de cena, sambou com aquele ar de quem conhece a quadra pelo nome e lembrou em palavras e gestos que a escola continua sendo casa afetiva.
Agora ela circula como rainha de honra premium, versão luxo, sem precisar disputar foco. Virginia apareceu como a titular da coroa, cercada de câmera, família, equipe e engajamento, fazendo da quadra uma extensão natural do feed.

No auge da noite, as duas sobem juntas, sorridentes, com David Brazil no meio, posam para os fotógrafos e entregam a imagem que derrubou a timeline. A foto tinha cara de release de paz selada, dessas que deixam a web sem argumento por algumas horas. Climão, se existiu, ficou do lado de fora da lente.
A internet fez o papel dela, claro. No X, o antigo Twitter, o roteiro veio em surtos, análises e torcida organizada. Teve quem chamasse o clique de encontro de rainhas, teve quem decretasse o fim da novela imaginária, teve quem insistisse em rivalidade mesmo sem material ao vivo para sustentar. Enquanto isso, as protagonistas seguiam ali, dividindo palco e flash sem levantar a voz.

Para a Grande Rio, o recado ficou cristalino. Paolla segue como símbolo afetivo, recebida com grito de saudade e carinho. Virginia representa a fase influenciadora do Carnaval, misturando avenida, engajamento, publicidade e público jovem colado no celular. A tal guerra de rainhas segue existindo, mas mora quase inteira na cabeça da internet. Na quadra, o que reinou foi pose, samba e uma paz que ninguém estava pronto para viralizar.