Amores, numa semana chuvosa, fria e perfeita para drama, eu, Kátia Flávia, estava largada no sofá, coberta até o pescoço, vivendo minha melhor vida noveleira. Eis que minha amiga de Santa Teresa, aquela que sempre chega com informação antes do intervalo, solta o spoiler. E eu, claro, venho servir tudo quente, com molho e exagero.
Em Terra Nostra, o capítulo vem com clima de tragédia italiana daquelas que fazem a mamma chorar no fundo da cozinha.
Tudo começa quando Matteo, o italiano de coração confuso e decisões péssimas, resolve visitar o filho. Chega todo cheio de direito, mas quem abre a porta é Mariana, agora governanta e observadora silenciosa do caos. Ela deixa o pai ver a criança, num clima meio tenso, meio contido, meio novela pronta para explodir.

Só que novela não deixa ninguém ir embora em paz. Quando Matteo está saindo, surge Rosana, a filha de Gumercindo, recém-chegada, revoltada, com sangue nos olhos e prontíssima para um barraco clássico. Ela parte pra cima, diz que ele não tem mais direito nenhum, acusa, aponta, joga culpa no ventilador. Climinha leve? Jamais.
A discussão sobe, a respiração acelera, a trilha sonora imaginária começa a tocar e, num impulso totalmente irresponsável, Matteo tasca um beijo em Rosana. Sim, um beijo. Daqueles que não pedem licença e deixam estrago. Ele sai em seguida, fugindo do próprio erro, enquanto Rosana fica ali, abalada, confusa e com cara de quem acabou de ganhar um trauma novo.

Corta a cena. Matteo chega em casa, a consciência pesa, o arrependimento bate e ele resolve fazer o que todo personagem faz quando quer destruir a própria vida. Confessar. Ele conta tudo para Giuliana, a italiana apaixonada, dedicada e agora oficialmente traída.
A reação? Fúria pura. Giuliana entra em modo ópera trágica. Grita, se revolta, perde qualquer traço de paciência e decide apagar Matteo da própria existência. Da vida dela e da dos filhos. Fim de linha, porta fechada, coração trancado e drama servido em prato fundo.
Resumo da ópera, amores. Um beijo virou terremoto emocional. Um impulso virou ruína amorosa. E eu sigo aqui, de coberta, café na mão, agradecendo por existir novela para transformar qualquer erro em espetáculo. Porque em Terra Nostra, e na vida, ninguém trai em silêncio.