Eu estava aqui, assistindo a mais um Sincerão com a serenidade de uma pessoa que claramente já perdeu a serenidade faz uns quinze paredões, quando Tadeu Schmidt resolveu entrar demais na cena e sair menos apresentador do que deveria. E isso, no BBB, é um perigo delicioso. Porque basta o condutor parecer atravessado pela emoção errada para o público largar a pauta da casa e começar a julgar quem segura o microfone.
O fato é simples e explosivo. Durante a dinâmica de segunda-feira, parte dos telespectadores entendeu que Tadeu tratou Ana Paula Renault com grosseria e ainda demonstrou simpatia excessiva por alguns jogadores, sobretudo Jonas Sulzbach. A confusão cresceu depois que trechos do Sincerão circularam nas redes, mostrando momentos em que a ex-BBB reclamava do jato de pó colorido no rosto e do jeito como era interrompida. Daí em diante, o programa deixou de ser só um tribunal de brothers e virou também um tribunal de apresentador.
No bastidor digital, a coisa ficou feia rápido, como sempre fica quando o público sente cheiro de parcialidade. Em uma postagem de Tadeu no Instagram, mais de 19 mil comentários criticavam sua postura, com gente dizendo que ele deixou a desejar na mediação e saiu da dinâmica “sem credibilidade”. Outros internautas foram ainda mais duros, afirmando que ele tratou Ana Paula com desprezo, que foi injusto ao vivo e que a diferença no tratamento entre ela e Jonas ficou nítida demais para passar batida. Quando o comentário vira mutirão de desaprovação, meu amor, já não é incômodo. É sintoma.
E eu acho isso fascinante porque revela uma mudança importante no papel do apresentador de reality. Antes, o público aceitava mais facilmente a figura do mediador como dono da situação, quase uma autoridade cênica acima da bagunça. Hoje, não. Hoje o apresentador também entra no paredão simbólico da opinião pública. Se levanta a sobrancelha errado, se corta uma fala na hora ruim, se dá a impressão de proteger um queridinho, a plateia digital monta dossiê em tempo recorde. E aí o problema não é só parecer parcial. É parecer previsível.
No caso de Ana Paula, existe ainda um ingrediente extra, porque ela é o tipo de personagem que ativa torcida, ranço e memória de televisão ao mesmo tempo. Não é uma participante decorativa, dessas que passam pela tela sem deixar pegada. Ela ocupa espaço, reage, tensiona a dinâmica e força o programa a se mexer. Quando o público percebe que uma figura assim foi enquadrada com mais dureza, a leitura vem carregada de implicação política, afetiva e de favoritismo. O BBB vende espontaneidade, mas o público anda cada vez mais perito em farejar roteiro mal disfarçado.