Aline Midlej expôs ao vivo uma confusão nos bastidores da GloboNews durante o “Jornal das Dez” de segunda-feira (17). A apresentadora recebeu orientações contraditórias da produção, ficou sem saber qual reportagem deveria chamar e acabou reclamando no ar: “Ô, gente, tá uma bagunça aqui”.
Eu ainda estava no almoço do Leblon, com uma amiga tentando explicar que “só ia pedir uma saladinha” enquanto atacava a batata dos outros, quando vi Aline perdendo a paciência em rede nacional. Baixei o garfo na hora. Nada une mais uma mesa do que bastidor de televisão desmoronando com microfone aberto.

A confusão começou durante uma entrada da repórter Beatriz Borges, da equipe da GloboNews em Brasília. Aline não sabia se deveria continuar a conversa com a jornalista ou chamar uma fala gravada do presidente Lula.
“Beatriz Borges continua com a gente agora ou eu chamo a entrevista do Lula? Eu preciso que vocês me orientem aí no switcher”, pediu a apresentadora, já deixando claro que o roteiro tinha virado um quebra-cabeça com peça faltando.
Eu olhei para as meninas e falei baixo: “quando a âncora pede socorro para o switcher no ar, é porque a coisa já passou do ponto do cafezinho nos bastidores”. E passou mesmo.
Aline tentou retomar a conversa com Beatriz. “Bia, você vai voltar para falar do Lula agora com a gente, é isso?”, perguntou. A repórter começou a responder, mas a ordem mudou de novo.
“Bia, a privatização… mudou o TP de novo? Qual que é a informação que eu dou agora? A entrevista do Lula?”, questionou Aline, citando o teleprompter. Em seguida, sugeriu uma saída clássica para salvar o incêndio: “Vamos rodar o intervalo para a gente organizar tudo direitinho?”.
Na mesa, uma amiga quase engasgou com o tomate confitado. Eu só consegui pensar que, naquele momento, a GloboNews virou reunião de condomínio com câmera profissional.
Segundos depois, a apresentadora recebeu a informação de que o vídeo estava pronto e seguiu a transmissão. “Então tá bom, vamos agora ouvir o presidente Lula e peço desculpas pela confusão aqui para vocês”, disse. Antes, ainda tentou aliviar: “Jornal ao vivo é assim mesmo”.

O material exibido na sequência mostrava Lula em agenda no Amapá, onde visitou a sonda da Petrobras que realiza trabalhos na Margem Equatorial. O presidente criticou privatizações e questionou os ganhos do país com a venda da antiga BR Distribuidora e de refinarias.
Eu pedi a conta rindo, porque almoço chique também tem seus momentos de auditório. A diferença é que, no restaurante, quando a cozinha se perde, pelo menos ninguém precisa chamar o Lula para tapar o buraco.