Neymar foi clicado sorridente em um campo de golfe nos Estados Unidos poucos dias depois da eliminação do Brasil para a Noruega na Copa do Mundo. O jogador, que atuou por menos de 40 minutos no torneio, segue de férias em solo americano e foi liberado pelo Santos até a retomada do Campeonato Brasileiro.
Eu estava no almoço com as meninas, naquela parte perigosa em que uma fofoca de Nova York puxa outra, o garçom tenta explicar o prato do dia e ninguém escuta porque a mesa virou CPI da viagem, quando apareceu Neymar sorridente no golfe. Mostrei a foto para o grupo e soltei: “Pronto, superou antes do torcedor terminar de lavar a camisa”. Minha filha, o Brasil caiu no domingo, mas o taco entrou em campo como se o luto tivesse durado três stories e uma água com gás.

Neymar foi tietado em um campo de golfe na Flórida, ao lado do filho, Davi Lucca. O ex-camisa 10 da Seleção Brasileira permaneceu nos Estados Unidos depois da derrota para a Noruega, que eliminou o Brasil nas oitavas de final e marcou a pior campanha da Seleção em Copas desde 1990.
E aqui mora o problema de imagem, porque ninguém está exigindo que o homem se ajoelhe no aeroporto com uma vela e peça desculpa ao país. Mas aparecer sorridente no golfe, depois de uma Copa em que entrou pouco, não decidiu nada e viu o Brasil levar um vexame histórico, é pedir para o brasileiro médio abrir o aplicativo com o sangue quente. O torcedor ainda está no velório do hexa e Neymar já parece no resort corporativo do pós-trauma.
A participação dele no Mundial foi pequena. Neymar entrou no segundo tempo contra a Noruega, mas não conseguiu mudar o rumo da partida. A eliminação precoce deixou a Copa seguir para as quartas de final sem o Brasil, enquanto o camisa 10, agora ex-camisa 10 da Seleção, virou novamente centro de debate sobre entrega, liderança e fim de ciclo.
Na mesa, uma das amigas tentou defender: “Mas ele também tem direito a férias”. Tem, claro. Todo mundo tem direito a férias, até quem decepciona no trabalho. A questão é que Neymar não trabalha numa repartição onde o máximo que acontece é alguém reclamar do ar-condicionado. Ele carrega uma marca, uma geração e uma expectativa que foi vendida por anos como salvação nacional. Quando a salvação nacional aparece no golfe quatro dias depois da tragédia esportiva, a piada vem pronta.
O Santos liberou o jogador para seguir de folga. O Campeonato Brasileiro só retorna no dia 22 de julho, então, formalmente, não há nada errado. Ele deve permanecer nos Estados Unidos ao lado da esposa, Bruna Biancardi, e das filhas Mavie e Mel. Até aí, agenda organizada, família reunida e clube ciente. O que pega mesmo é o contraste: Brasil no divã, Neymar no green.
Eu fico fascinada com essa capacidade dele de transformar qualquer pós-crise em nova crise visual. Neymar não precisa dizer uma palavra. Basta aparecer sorrindo, jogando golfe, cortando cabelo, chegando em festa ou comentando foto, e pronto: metade do país vê deboche, a outra metade vê perseguição, e a internet monta audiência de custódia em tempo real.

Talvez seja injusto exigir luto performático. Talvez seja ingênuo achar que atleta milionário vai passar a semana encarando a parede porque a Seleção fracassou. Mas também é ingênuo achar que uma imagem dessas não carrega mensagem. No futebol, foto também joga. E essa foto entra em campo logo depois de uma eliminação que ainda está atravessada na garganta do torcedor.
Neymar pode até ter superado. O Brasil, não. E essa diferença de ritmo é justamente o que alimenta a treta. Enquanto o país tenta entender como caiu tão cedo, ele aparece no golfe, sorridente, com folga liberada e a vida seguindo. Para quem esperava uma resposta em campo, recebeu um swing. E olha, pelo menos dessa vez ele acertou a bola.