Eu estava no Cosme Velho, com o cabelo implorando por um acordo de paz e um suco de pera tentando me devolver à vida, quando meu telefone começou a tocar feito camarote em véspera de feriado. Era gente falando de Glover Teixeira, Maurício Shogun, queda no segundo round, luta histórica. Mas eu queria saber de outra queda, meu amor: quem caiu na tentação de botar um look de gala e aparecer no Spaten Fight Night 3, em São Paulo.
Porque Glover venceu Shogun por pontos, derrubou o rival no segundo round e saiu do ringue com a vitória na luta principal. Tudo muito bonito, muito técnico, muito testosterona com iluminação de evento premium. Só que o Pacaembu tinha Chay Suede, Rodrigo Lombardi, Kyra Gracie, Flávio Canto, Minotauro, Bia Ferreira, Rebeca Lima, Wagner Santisteban e uma turma inteira circulando como se o octógono tivesse sido anexado a uma première de novela.


Chay Suede surgiu de gravatinha e óculos escuros, com aquele ar de homem que sabe que vai parar em todas as fotos mesmo se estiver apenas procurando a saída do banheiro. Rodrigo Lombardi foi no smoking escuro, prontíssimo para interpretar um magnata perigoso, um diplomata misterioso ou, no mínimo, o homem que entra numa festa e faz três relações familiares estremecerem antes do intervalo.

Flávio Canto, que entende de luta muito mais do que qualquer criatura ali interessada apenas no flash, também apareceu no tapete verde. Kyra Gracie trouxe o peso de um sobrenome que não precisa levantar a voz para dominar qualquer conversa sobre arte marcial. Minotauro, Bia Ferreira, Caio Cabral, Kaique Cerveny e Cris Paladino completaram o elenco da noite em que havia mais gente conhecida fora do ringue do que espaço para fofoca no meu bloco de notas.


O Spaten Fight Night 3 aconteceu no Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, e reuniu cinco confrontos em modalidades diferentes. A principal atração foi o duelo de boxe entre dois nomes históricos do MMA: Glover Teixeira e Maurício Shogun Rua. Glover levou a melhor por decisão dos juízes, depois de derrubar o adversário no segundo round.

O resultado esportivo importa, evidentemente. Glover controlou a luta, imprimiu ritmo forte e não deixou Shogun construir uma reação suficiente para mudar o placar. Ao fim do combate, os dois se abraçaram, e Glover se ajoelhou diante do rival. Teve respeito, teve emoção e teve aquela solenidade de lenda que sabe que o público está vendo um capítulo especial.


No boxe, Luan Medeiros venceu Juan Cruz “El Diablo”, da Argentina, por decisão. A luta valeu o Cinturão Latino-Americano reconhecido pelo Conselho Nacional de Boxe e pela Federação Latino-Americana de Comissões de Boxe Profissional. Brasil e Argentina foram parar no ringue, mas a arquibancada estava mais preocupada em identificar quem tinha sentado perto de quem.

A estreia do judô no evento também entregou assunto. Rafaela Silva venceu Prisca Awiti em duelo que marcou dez anos da conquista olímpica da brasileira. Na outra luta da modalidade, a israelense Raz Hershko derrotou Beatriz Souza, em uma revanche da final dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, vencida pela brasileira.


No jiu-jítsu, Felipe Pena venceu Nicholas Meregali por decisão unânime. Os dois chegaram ao combate com provocações acumuladas, histórico de rivalidade e aquele tipo de tensão que deixa qualquer mesa de bar com assunto para semanas. Meregali havia lembrado vitórias anteriores; Pena respondeu com currículo e, no tatame, ficou com o resultado.

No fim, o Spaten Fight Night 3 vendeu luta, disciplina e técnica, mas entregou também uma noite de celebridades bem vestidas, atletas olímpicos, ídolos do MMA e atores com cara de quem poderia estar ali para assistir ou para estrelar uma minissérie sobre herança, poder e segredos de família. Glover ganhou de Shogun, Rafaela brilhou, Luan venceu, Felipe Pena levou a melhor. Mas a Kátia quer saber mesmo quem pegou o melhor ângulo na foto.