Estava me instalando aqui em Veneza, com a janela aberta pro Canal Grande e o celular ainda no horário de Milão, quando o resultado do Paredão chegou e eu precisei sentar: Solange Couto foi eliminada do BBB 26 com 94,17% dos votos. Noventa e quatro vírgula dezessete. Eu já vi número assim em pesquisa de aprovação de ditador, não em reality show.
O Paredão era triplo, formado por Solange, indicada pela líder Ana Paula, Jordana, que recebeu a maioria dos votos da casa, e Marciele, colocada na berlinda por Milena após o Big Fone. Marciele ficou com 2,29%, Jordana com 3,54%, e Solange levou todo o resto com uma folga que constrange. A porcentagem a coloca na sétima posição do ranking histórico de rejeições do BBB, tirando Projota, do BBB 21, da décima colocação. Se considerados apenas os votos no formato atual, Solange lidera com a maior rejeição da era “Votos Únicos e Torcida”.
O feed explodiu antes mesmo de Tadeu terminar o discurso, os memes chegaram aos trending topics em minutos, e a torcida de Ana Paula comemorou com a intensidade de quem esperava esse resultado desde a semana das falas polêmicas. Solange saiu, foi ao ar, se arrependeu publicamente e disse que jamais imaginou dizer o que disse à Ana Paula, que a pressão do confinamento faz a gente juntar tensão sem perceber até que vira boom. Isso, devo dizer, foi a fala mais honesta da noite.
O que me interessa aqui é a velocidade da queda. Solange entrou no BBB com uma trajetória de décadas de carreira, reconhecimento público e uma imagem construída com cuidado. Bastaram algumas semanas de confinamento para o público decidir com 94% de convicção que era hora de ir embora. O programa tem esse talento cruel de revelar o que a edição de imagem cobre na vida real, e dessa vez o processo foi particularmente rápido.
Tadeu fez o que Tadeu faz: discursou sobre coragem, citou os riscos do confinamento, evitou dizer se ela acertou ou errou, e mandou ela vir. Profissional. Solange veio. Veneza hoje está com neblina baixa sobre os canais, e eu juro que é coincidência.