Amigas, o BBB começou e eu já avisei. Vou ficar 24 horas em função desse programa. Dourado, TV Globo, vocês me pagam, porque isso aqui é jornada dupla. Mal estreou e eu já tô com o telefone colado na orelha, ligando pra tudo quanto é amiga, comentando os primeiros movimentos, farejando história boa. E não deu outra. Esse reality promete render assunto, conversa atravessada, memória puxada do fundo da gaveta e umas verdades que raramente ganham câmera.
Dentro da casa, longe de prova e estratégia, Solange Couto resolveu contar para Henri Castelli um trecho da vida que não tem nada de entretenimento leve.
Ela falou da pandemia. Trabalho parado. Dinheiro curto. Um filme acertado, Barba, Cabelo e Bigode, previsto para alguns meses depois. Até lá, precisava de um lugar para ficar. Nada de drama encenado. Era necessidade prática.

Solange contou que pediu ajuda. Disse que chorou. Disse que explicou a situação inteira. A resposta veio simples e direta. Tinha espaço. Era para ir.
O endereço era o Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro. Instituição filantrópica que acolhe profissionais do entretenimento em momentos de vulnerabilidade. Não é programa de TV, não tem votação, não tem disputa. Tem casa, rotina e apoio.
Ela relatou como funcionava na prática. Se as coisas não coubessem na casa, iam para o casarão. Se faltasse quarto, dava-se um jeito. O objetivo era atravessar aquele período com dignidade e algum chão firme.
Na conversa com Henri Castelli, Solange falou do impacto de precisar pedir abrigo depois de décadas de carreira. Falou do alívio de ter um teto. Falou da espera pelo trabalho voltar enquanto o mundo parecia suspenso.
Henri escutou. Sem espanto performático. Sem reação exagerada. Escutou como quem entende que aquilo acontece com mais gente do que se imagina.
O relato ganhou força porque desmonta uma fantasia recorrente. Fama não cria colchão automático. Trajetória longa não impede aperto. O que sustenta, muitas vezes, são estruturas fora do foco, como o Retiro dos Artistas, que seguem funcionando longe do barulho.
No BBB 26, a história de Solange entra como contraponto ao jogo. Não muda paredão, não define líder, mas lembra que, fora da casa, a vida cobra soluções reais. E cobra mesmo.