Gente, eu estava aqui em Veneza, já tinha até feito rabo de cavalo no cabelo porque pressentimento de perua não falha, quando o Mais Você entrou ao vivo e eu larguei tudo para assistir.
Solange Couto sentou na cadeira da Ana Maria Braga, o café estava posto, e em menos de dois minutos a cena virou um dos momentos mais pesados da televisão brasileira desta semana. Ela chorou. Pediu perdão. Se disse envergonhada, triste consigo mesma, disse que a essa altura da vida cometeu algo grave e feio.
Ana Maria ficou levemente emocionada do lado, e eu aqui de Veneza fiz o mesmo, honestidade total.
O discurso foi bonito, genuíno e carregado. Solange falou em pedir desculpas a todas as mães, todas as avós, todas as mulheres que lutam com força, todas as que nunca a viram se comportar assim em lugar nenhum. A frase que ela usou foi dura consigo mesma de um jeito que poucos ex-participantes conseguem.
Eu não duvido do arrependimento de Solange. A dor que apareceu naquela cadeira pareceu real demais para ser performance. O que me interessa como leitora de bastidor é a ordem das prioridades num momento de retratação pública. Pedir perdão ao Brasil inteiro antes de olhar nos olhos da pessoa específica que você ofendeu é uma escolha, consciente ou não, e a internet tem memória longa o suficiente para registrar essa sequência.
Ana Maria segurou o choro, Solange segurou a voz, e eu aqui em Veneza segurando o rabo de cavalo. O café da Ana mais uma vez provou que é o lugar onde a televisão brasileira revela o que o confinamento escondeu. Agora falta o segundo café, aquele particular, com Ana Paula.