Eu já vivi muita coisa nessa vida de colunista que não dorme e fofoca profissional, mas confesso que poucas me abalaram como essa. Skol resolveu acordar São Paulo com uma bomba pop de alcance internacional e trouxe Calvin Harris, o homem que basicamente manda no humor das pistas do planeta, para comandar um trio elétrico no Carnaval da Consolação. Sim, isso mesmo. Meu DJ favorito, meu crush europeu de batida milionária, no meio da rua, gratuito, cercado de suor, glitter e gente gritando como se fosse final de reality.
A cena é clara na minha cabeça. Calvin Harris, que costuma reinar em festivais com nome em inglês e ingresso parcelado em doze vezes, agora reinando no asfalto paulista, olhando para um mar de gente como quem pensa “ok, cheguei no auge”. A Skol bancou o delírio e colocou o DJ para liderar o Bloco Skol no dia 8 de fevereiro, misturando música eletrônica global com o caos delicioso do Carnaval brasileiro.

E não parou por aí. Para ninguém dizer que foi delírio importado sem sotaque local, o trio ainda trouxe Nattan, Xand Avião, Zé Vaqueiro e Felipe Amorim. Um elenco que parece reunião de personagens de novela musical, cada um com sua torcida organizada e sua própria histeria coletiva. Eu vi ali uma estratégia clara. Fazer o público cantar, pular, suar e esquecer qualquer senso de dignidade urbana.
Calvin Harris chega com um currículo que dispensa legenda. São bilhões de streams, hits que grudam no cérebro e uma carreira construída como se fosse roteiro de estrela pop que deu certo. “Summer”, “One Kiss”, “Feel So Close” e outros tantos sons que fazem multidões perderem o controle vão ecoar pela Consolação como se a rua tivesse virado Ibiza com cheiro de cerveja gelada.

A Skol, que adora se meter onde tem aglomeração histórica, resolveu cravar seu retorno ao Carnaval paulistano com esse movimento ousado. Segundo a marca, a ideia é celebrar a folia de rua com entretenimento puro, misturando peso internacional e potência nacional. Eu traduzo. Queriam causar. Conseguiram.
Tem também parceria com a Vybbe, plataforma que entende de música popular como poucas, garantindo que o trio tivesse identidade brasileira forte e conexão direta com o público que canta, dança e grita sem pedir licença.
O que eu sei é o seguinte. A Consolação vai tremer. Calvin Harris vai tocar olhando para uma multidão que não fala inglês, mas entende perfeitamente o idioma da batida. A Skol vai estampar sua lata em milhões de stories. E eu vou estar emocionalmente indisponível nesse dia, porque ver meu DJ favorito no Carnaval brasileiro mexe com estruturas internas que nem a terapia resolve.