Gente, a Faria Lima do asfalto pousou em Brasília e o pregão é de rampa: fundo público, marca gringa e ranking valendo posição de CEO.
Eu confesso, virei sócia emocional dessa história. O Pro Tour STU fechou a rodada de Porto Alegre com Luigi Cini levantando a taça e a nota 94,00 igual quem anuncia lucro recorde em teleconferência, e agora migra pra Brasília com um elenco que parece prospecto de fundo internacional. De 4 a 6 de setembro, o Parque da Cidade Sarah Kubitschek vira a bolsa de valores do Skate Vertical, com paredão de mais de 4 metros fazendo o papel de gráfico de candles.

O CEO reeleito é o próprio Luigi, disputando manutenção de posição contra uma carteira nacional forte, Gui Khury, Diego Takahashi, Gustavo Fujikawa e Rony Gomes, e uma injeção de capital internacional puro suco, o português Thomas Augusto, o francês Edouard Damesttoy, o porto-riquenho Steven Pineiro e a dupla americana Collin Graham e Shea Donavan. É globalização de skate igual rodada série A de startup, todo mundo querendo um pedaço do valuation brasileiro.
E olha o modelo de negócio, gente, é implacável. Dezesseis competidores entram na primeira fase, os líderes já garantem cadeira na diretoria, direto pra final, os vices avançam para uma semifinal concorrida, e o resto disputa uma segunda fase eliminatória feito processo de fusão hostil. Na semifinal, oito nomes competem juntos numa bateria só, com direito a três voltas, e os seis primeiros fecham contrato pra grande final de domingo, onde tem quatro voltas pra decidir quem sobe de patamar.
E o funding, minha filha, vem de todo canto. A Lei Federal de Incentivo ao Esporte bancando feito renúncia fiscal caprichada, Governo do Distrito Federal de sede, aval da Confederação Brasileira de Skateboarding, apoio da Federação local, da Associação de Paraskate, da Drop Dead e do Instituto Conecta. E o conselho de marcas reunido igual comitê de investidores de peso, Heineken 0.0 assinando como cerveja oficial, Red Bull e Vale de patrocinadoras, e até o Ministério do Esporte entrando na rodada.

Luigi já falou pra imprensa, com aquele ar de CEO satisfeito com o resultado do trimestre, que o título em Porto Alegre foi emocionante e que o Pro Tour STU virou referência mundial, elogiado até pela concorrência estrangeira.
Eu, particularmente, já reservei camarote pra final de domingo. Quando o mercado é rampa de quatro metros, quero ver de perto quem cai e quem levanta as mãos pro alto igual quem toca sino na abertura do pregão.