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Kátia Flávia
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Silêncio vira ativo de luxo e move economia de US$ 6 trilhões

O novo artigo de desejo do consumidor de alta renda não tem logo nem vitrine: é uma cabine sem celular. E quem entendeu isso primeiro já está cobrando por hora de sossego.

Kátia Flávia

06/08/2026 17h15

O Ateliê Beauty aposta em experiências voltadas ao bem-estar emocional como diferencial no mercado de luxo.

O Ateliê Beauty aposta em experiências voltadas ao bem-estar emocional como diferencial no mercado de luxo.

Estou deitada em Ibiza, cortina fechada, celular no modo avião, poupando energia para a noite. E enquanto eu faço isso de graça, descobri que tem gente ganhando fortuna vendendo exatamente essa cena. Sim, meus amores. O silêncio virou produto premium e eu quero a minha comissão.

O movimento é o seguinte. Durante décadas, o mercado de luxo foi excesso, ambiente grandioso, ostentação e exclusividade material. Agora, a alta renda mudou de gosto e passou a comprar privacidade, silêncio e desconexão. Cabines livres de celular, iluminação suave, atendimento personalizado e ambientes pensados para reduzir distrações deixaram de ser diferencial e viraram proposta de valor de hotéis, spas e clubes exclusivos. Ou seja, o cliente rico cansou de ser estimulado e agora paga para ser deixado em paz.

E o tamanho da farra? A economia do bem-estar já movimenta mais de US$ 6 trilhões no mundo, segundo o Global Wellness Institute. Seis trilhões! Isso é maior que o PIB de muito país graúdo. Enquanto o mercado discute múltiplos de empresas de tecnologia, tem um setor inteiro faturando com toalha quente e ausência de notificação.

Quem me explicou a lógica foi Isa Santini, CEO do Ateliê Beauty, casa eleita por dois anos consecutivos o Melhor Spa Boutique de Luxo do Mundo pelo World Luxury Spa Awards. Dois anos seguidos, minha gente, isso é bicampeonato. Para ela, o maior luxo hoje é encontrar um espaço onde a pessoa não seja interrompida, não precise olhar o celular e consiga realmente descansar. E ela cravou a tese que interessa a qualquer investidor: o silêncio virou um ativo valioso porque ficou escasso na rotina das pessoas. Escassez, meus amores. A palavra mais bonita do capitalismo.

A empresária ainda observa que o consumidor passou a valorizar experiências que geram bem-estar emocional, e não apenas conforto físico. Isso muda arquitetura, iluminação, aroma, som e até a forma como o atendimento acontece, porque as pessoas querem se sentir acolhidas, e não estimuladas o tempo todo. Ela aposta que o mercado brasileiro vai seguir o mesmo caminho, já que vivemos cercados por notificações e excesso de informação, e criar um ambiente onde alguém consiga respirar deixou de ser diferencial para virar necessidade.

Anota a operação, que é aula de expansão. O Ateliê Beauty tem unidades no Cambuí, na Nova Campinas, no Galleria Shopping, em Indaiatuba e no Cidade Jardim, em São Paulo, este último na Torre Capital Building. Endereço em prédio corporativo de alto padrão não é acaso, é caça ao executivo que precisa de quinze minutos sem WhatsApp. Eu volto para o meu descanso agora, mas com uma certeza. Quem entendeu que sossego é escasso vai cobrar caro por ele, e o resto do mercado ainda vai correr atrás.

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